As portadoras de Endometriose que desejam engravidar, deve tomar muito cuidado, pois a Endometriose, persistente ou não, pode gerar uma Gravidez de Alto Risco.

Gravidez de alto risco e endometriose, quais os riscos e cuidados a serem tomados?

Isto tem de ser muito bem avaliado, principalmente antes de tentar engravidar ou, uma vez grávida, que seja muito bem acompanhado, pois trata-se de uma Gravidez de Alto Risco.

Uma gravidez de alto risco é chamada assim quando temos o aumento das chances de haver complicações durante a gravidez ou no parto, colocando a vida da mãe ou do bebe em risco.

Sempre que possível estes riscos devem ser avaliados antes do processo de gravidez, uma vez que estes riscos preexistentes as gestações podem se agravar com ela.

A endometriose, presença de endométrio ectópico (fora da cavidade uterina) esta associada com quadro de dor pélvica crônica e infertilidade, apesar de poder muitas vezes ser assintomático!

Sabidamente a endometriose esta associada com aumento taxa de abortamento, a gravidez ectópica, trabalho de parto prematuro, descolamento da placenta, DHEG e até mesmo hemorragia pôs parto.

Considerando este contexto podemos enfatizar 3 situações possíveis relacionadas a endometriose e gravidez de alto risco!

Na primeira situação, a paciente assintomática com endometriose epifenômeno (focos de endometriose sem sintomas) pode engravidar e apresentar evolução favorável ou não durante a gestação com descoberta da mesma muitos anos mais tarde ou durante o procedimento obstétrico)

Na 2ª situação, a paciente com diagnostico de endometriose sintomática e persistente consegue engravidar e apresenta piora do quadro sintomático nos primeiros três meses, decorrente do aumento uterino (distensão quadro aderencial e infiltrativo) e aumento dos níveis de estrogênio, prejudicando a evolução da gestação com aumento do risco. Em alguns casos, com o avanço da gestação, percebe-se a melhora do quadro endometriótico no final da gestação, com persistência durante o processo de aleitamento.

Por último, a paciente com endometriose necessita muitas vezes de recorrer a procedimentos cirúrgicos, e até mesmo procedimentos de reprodução assistida para conseguir a tão almejada gestação. Geralmente o sucesso vem após os 35 anos, com toda uma tensão e expectativa em relação a gestação, deixando estas mulheres mais vulneráveis emocionalmente, com riscos obstétricos persistentes e muitas vezes com procedimento obstétrico com risco elevado.

A gestante com endometriose necessita que alguns cuidados e medidas sejam adotadas para amenizar os riscos durante a gravidez:

  • Realizar visitas regulares a um obstetra qualificado;
  • Ter uma Alimentação Saudável;
  • Manter um Controle Rigoroso de Peso;
  • Observar seu organismo (descansar e desacelerar sempre que possível);
  • Evitar o uso de Cigarro e Álcool;
  • Usar medicações apenas quando indicado; exemplo da progesterona natural, no inicio e no fim da gestação.
  • A Cesariana é indicada para aquelas pacientes submetidas a cirurgias múltiplas – em casos de endometriose infiltrativa – e com riscos de complicações obstétricas, podendo servir como momento oportuno para avaliar o status da endometriose ao termino da gestação, e em alguns casos, com possibilidade remota de tratamento

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Essas pacientes que já foram muito operadas, que têm doença ativa, eventualmente tem indicação de serem submetidas a cesariana. Esses casos seriam, principalmente, para poder evitar complicações obstétricas como hemorragias pós-operatório, que pode acontecer em determinados casos.

Mas temos outras razões, pelas quais, a gente pode indicar uma cesariana nessas pacientes, como por exemplo, a necessidade de avaliar o estado da endometriose naquela cavidade, naquele útero, naquele anexo, naquela trompa e naquele ovário, isso ao termina da gestação, para traçar assim uma perspectiva para um tratamento futuro.

Em alguns casos, seletos, pacientes que tem indicação de realizar o tratamento. Tratamento este que foi postergado durante a gestação, mas que pode ser realizado durante a cesária, algo um pouco controverso mas que, diante de uma equipe muito experiente, pode ser realizado, como a abordagem da Endometriose naquele ovário, como uma apendicectomia devido a Endometriose, e assim por diante.

É importante deixar bem claro:

Gravidez não é tratamento para endometriose!

A gravidez exerce um papel semelhante ao uso de medicamentos, na sua grande maioria, medicamentos a base de progestágeno, capaz de controlar temporariamente os sintomas, e em alguns casos adormecer lesões de Endometriose não infiltrativa, que serão reativadas, após um período sem gravidez, sem aleitamento e sem medicação.

Por isto, após a gestação e após a amamentação, o cuidado e o acompanhamento deve ser, de imediato, iniciado.

Abaixo você pode acompanhar o nosso video e saber mais sobre os riscos e cuidados em uma gravidez de alto risco.

Gustavo Safe é diretor e médico especialista em endometriose no Centro Avançado em Endometriose e preservação da fertilidade, Clínica Ovular fertilidade e menopausa e Instituto Safe. Estudioso dos assuntos relacionados à saúde da mulher com enfoque na dor pélvica, infertilidade, preservação da fertilidade, endometriose, endoscopia ginecológica e cirurgias minimamente invasivas.

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