Dieta Detox e antiglicante no combate ao envelhecimento

Dieta Detox e antiglicante no combate ao envelhecimento

Quando fazemos uma dieta detox, optamos por uma restritiva de açúcar, frituras e gorduras saturadas para limpar as toxinas e restabelecer o equilíbrio natural

Há três tipos de envelhecimento: o biológico, o social e o psicológico

Uma alimentação equilibrada com proporções adequadas (40% carboidrato, 30% proteínas e 30% gordura) com alimentos saudáveis, como verduras, legumes e frutas, beneficia bastante a saúde da pele, assim como todo o organismo. 

O envelhecimento é um processo natural que ocorre durante toda a vida, provocando mudanças associadas à passagem do tempo, que pode variar de pessoa para pessoa, sendo determinado tanto por fatores internos quanto externos, como estilo de vida,  características do meio ambiente, as condições de saúde e a dieta de cada um. 

Os dermocosméticos com ação detox são responsáveis por estimular a renovação celular, remover as impurezas e deixar a pele mais limpa e iluminada, reduzindo os processos inflamatórios, devendo ter seu uso estimulado a partir dos 25 anos.

A Vitamina C é um poderoso antioxidante, ao reduzir danos causados pelos radicais livres decorrentes da exposição da pele à poluição, radiação UV e infravermelha. Você pode incluir este ativo em todas as fases de cuidados da pele, desde a higienização até a proteção solar.

Enquanto isso, a Vitamina E, presente em grãos e sementes oleaginosas, também pode impedir danos causados pelos radicais livres.

Os alimentos com antioxidantes que ajudam nestes processos, atuando da cabeça aos pés devem ter seu consumo estimulado!

São vários alimentos com tal ação, como o Açafrão ou cúrcuma, aveia, azeite de oliva, chá de cavalinha, centelha asiática, dente de leão, frutas cítricas, frutas vermelhas, linhaça, mamão, abacaxi, melão, óleo de gergelim, pepino, peixes, sálvia, semente de abóbora e suco de uva natural.

Glicação é quando açúcares “açúcar proteínas” (também se usa a expressão “caramelizam as proteínas“), alterando a sua estrutura e função. 

A glicação é o processo em que as moléculas de açúcares e carboidratos unem-se a uma proteína, formando os “produtos de glicação avançada” (AGEs, do inglês: Advanced glycation End-Products), fazendo com que ela não consiga mais desempenhar seu papel no organismo, perdendo sua função biológica e tornando-a tão prejudicial quanto os radicais livres.

A ligação de açúcares no colágeno e a dificuldade da pele em renová-lo acelera o envelhecimento. “Esta ação é tão agressiva, quanto a dos radicais livres, promovendo rugas, perda de elasticidade e de tonicidade”.

Na busca por um tratamento rejuvenescedor da pele, uma das apostas é a associação de produtos antiglicantes aos antioxidantes. 

Os antiglicantes são capazes de reverter esse processo e frear o envelhecimento, melhorando o aspecto visual do rosto e a saúde da pele. 

Os dermocosméticos antiglicantes atuam impedindo que essa união entre açúcar e proteína ocorra, minimizando o envelhecimento precoce, devolvendo a firmeza, a flexibilidade, prevenindo o aparecimento de rugas e revitalizando os contornos do rosto e da pele, conferindo uma aparência mais jovem.

Para baixar o índice de glicação é importante planejar a redução de consumo dos carboidratos refinados, como o pão branco, farinha de trigo, biscoitos, bolachas, macarrão e massas. Prefira também os carboidratos complexos (nozes, vegetais, feijão, arroz integral, aveia e milho); estes demoram muito mais para virar açúcar no sangue.

A fotoproteção é fundamental; para tal, use o FPS 50 ou 70 com capacidade de reduzir a oxidação, glicação e irritação da pele, de preferência resistente à água. É importante ter associado a vitamina C e o ácido hialurônico que hidrata e preenche as rugas.

Porém, quando nos referimos a uma dieta antiglicante, são poucos alimentos considerados verdadeiramente antiglicantes. 

Até mesmo em relação à canela, cujos efeitos no metabolismo glicídico são bastante citados, mas controversos.

Os compostos fenólicos (são abundantes em frutas, vegetais e alimentos derivados dos mesmos) parecem ser os melhores candidatos. 

Na prática, para um efeito antiglicante na dieta, devemos principalmente considerar a proporção entre carboidratos (C) e proteínas (P) da dieta (C/P).

Para não elevar a glicemia e não glicar, a dica segundo especialistas é manter a relação entre carboidratos/proteínas da dieta, igual ou menor do que 1,3. Em termos práticos, calculamos 40% de carboidratos, 30% de proteína e 30% de gordura em uma dieta. Isso é um aprendizado longo, que deve ser adquirido aos poucos.

Como a glicemia aumentada eleva a insulina, uma dieta antiglicante é, em última análise, uma dieta para controle da insulina. 

Como a insulina é pró-inflamatória, mantendo-a baixa, a dieta será também anti-inflamatória.

Gustavo Safe é diretor e médico especialista em endometriose no Centro Avançado em Endometriose e preservação da fertilidade, Clínica Ovular fertilidade e menopausa e Instituto Safe. Estudioso dos assuntos relacionados à saúde da mulher com enfoque na dor pélvica, infertilidade, preservação da fertilidade, endometriose, endoscopia ginecológica e cirurgias minimamente invasivas.

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Slow beauty e os produtos naturais e sustentáveis no combate à beleza fatal

Slow beauty e os produtos naturais e sustentáveis no combate à beleza fatal

A partir da década de 1990, começou a haver uma maior conscientização com uma busca por produtos mais seguros para o ser humano e para o planeta

Sustentabilidade pode ser definida como a capacidade do ser humano em interagir com o mundo, preservando o meio ambiente para não comprometer os recursos naturais das gerações futuras, integrando as questões sociais, energéticas, econômicas e ambientais.

Isso estimulou uma adequação da indústria e a produção de cosméticos segundo esses conceitos, os chamados cosméticos naturais, cosméticos orgânicos ou biocosméticos, através de um movimento (slow beauty), nascido nos Estados Unidos.

O Brasil ocupa a terceira posição em relação ao mercado mundial de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, perdendo apenas para Estados Unidos e Japão.

Interessante como só agora, como ginecologista, tenho visto no meu dia a dia do consultório a preocupação e divulgação pelos laboratórios de produtos de uso ginecológico sem parabeno.

De acordo com o Food and Drugs Administration (FDA), do Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo dos EUA, o parabeno consiste em ésteres derivados do ácido ρ-hidroxibenzóico, que vem sendo usado amplamente como conservante em produtos cosméticos, farmacêuticos, alimentícios e industriais.

Entre os produtos que podem conter parabenos, temos as maquiagens, desodorantes, hidratantes, loções, esmaltes, óleos, loções infantis, produtos para o cabelo, perfumes, tinta para tatuagens e até mesmo cremes de barbear.

Os parabenos são substâncias conservantes que podem ser nocivas, tanto aos pacientes com câncer, quanto a qualquer outra pessoa com a pele lesionada, devendo ser evitados.

Quais são os tipos de parabenos?

Os tipos de parabenos mais comuns são o metilparabeno, o propilparabeno, o etilparabeno e o butilparabeno, com alto poder de conservação e preço mais acessível. Devido à sua solubilidade relativa em água, é o mais frequente ingrediente utilizado em cosméticos e pode apresentar efeito cumulativo pela exposição contínua à derme.

O controle sobre a quantidade de parabenos presentes em cosméticos é bastante rígido. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu como limite as concentrações máximas de 0,4% de cada parabeno e no máximo de 0,8% total no produto cosmético.

A segurança dos parabenos vem sendo contestada nas últimas duas décadas, principalmente devido à desregulação endócrina que produzem, alterando a atividade de hormônios endógenos, bem como a síntese, transporte e metabolismo hormonal.

Quando os compostos prejudicam a função endócrina, eles são denominados desreguladores endócrinos. No caso específico dos estrógenos, há os xenoestrógenos, que são compostos sintéticos capazes de aumentar a síntese do estrogênio endógeno, ou desempenhar funções semelhantes ao mesmo.

Os parabenos apresentam ainda atividades pró-oxidantes na derme, estando relacionados a casos de dermatite alérgica de contato e envelhecimento da pele.

Outros possíveis efeitos atribuídos aos parabenos são no trato reprodutivo e glândulas endócrinas por possuírem atividade estrogênica, estando também relacionados ao câncer de mama.

O câncer é uma patologia crônica caracterizada pelo crescimento de células neoplásicas de forma desordenada, processo esse que ocorre devido à alteração no código genético.

Admite-se que 5% a 10% dessa enfermidade apresenta caráter hereditário e o restante deve-se a danos no material genético que ocorreram ao longo do tempo, os quais podem ter origem física, química ou biológica.

Na fase inicial do processo de carcinogênese, células normais expostas a agentes carcinogênicos sofrem danos no DNA, o que acarreta modificações no seu ciclo celular, deixando as células mais responsivas a estímulos proliferativos e menos responsivas à apoptose (morte celular), devido à inativação de genes supressores e/ou à ativação de oncogenes.

Estrógenos desempenham um papel importante na proliferação do epitélio mamário, tanto normal, quanto neoplásico, com estudos epidemiológicos, experimentais e clínicos confirmando esta associação. Após o hormônio se ligar ao seu receptor celular, ele ativa os genes hormônio-responsivos que promovem a síntese de DNA e a proliferação celular.

Num ritmo acelerado, percebemos um aumento na incidência de câncer de mama que, de acordo com o Ministério da Saúde, não possui razões bem conhecidas.

Os xenoestrógenos estão ligados à carcinogênese e por isso associados ao câncer de mama.

Entre os componentes dos cosméticos, os principais xenoestrógenos são sais de alumínio (presentes em antiperspirantes), triclosan (desodorantes, sabonetes íntimos, deocolônias e conservantes), fragrâncias sintéticas e parabenos (conservantes).

Presente em alguns pesticidas, também temos alguns xenoestrógenos capazes de se acumular no organismo através da alimentação como as dioxinas.

Seria esta uma explicação plausível para a suspeita de que o uso de produtos contendo xenoestrógenos pudesse ser uma das causas do aumento do câncer de mama no Brasil e no mundo?

No caso de cosméticos, os desodorantes e cremes hidratantes são aplicados diariamente e mesmo muitas vezes ao dia na área da axila, ao redor da mama, de forma que esta região é exposta, continuamente, a uma grande variedade de xenoestrógenos presentes nesses tipos de cosméticos, os quais são absorvidos por camadas profundas da derme.

Em um estudo realizado durante 21 anos na Inglaterra e Escócia, em mulheres acometidas por câncer de mama, observou-se que a região de maior incidência da patologia foi o quadrante superior, local este de grande aplicação de produtos cosméticos, mas também região com maior densidade mamária.

Em culturas celulares de câncer de mama, baixas concentrações de parabenos atuam estimulando o crescimento celular, quando combinados a outros xenoestrógenos.

Em arquivos de amostras de câncer de mama humano, realizou-se medidas de parabenos e evidenciou-se que o composto estava presente em quantidades abaixo daquela determinada experimentalmente para estimular o crescimento celular.

Em decorrência dos poucos estudos epidemiológicos que relacionam diretamente o uso de desodorantes nas axilas com a ocorrência do câncer de mama, esta hipótese não pode ser confirmada de forma definitiva.

Atualmente, tanto a Sociedade Americana de Câncer (ACS), quanto a Agência Internacional pelo Estudo do Câncer (IARC), que faz parte da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmam que não existem provas contundentes que possam relacionar os compostos químicos parabenos com o desenvolvimento de câncer.

Devemos lembrar que, ausência de evidência, não é evidência de ausência, logo você é o responsável pela sua saúde e, por isso, é de grande importância ter um olhar criterioso quanto à escolha do cosmético, sempre levando em consideração a sua composição química.

O paciente oncológico pode ser mais afetado pelos parabenos e, portanto, deve observar a formulação de tudo o que utiliza. Existem produtos especialmente desenvolvidos sem o uso de parabenos para os pacientes em tratamento quimioterápico ou radioterápico.

A Wecare Skin desenvolveu produtos especialmente para pacientes que estão passando por tratamento oncologico, livres de parabenos e outros agentes agressivos, como o Washcare, que é uma espuma de limpeza, que pode ser utilizada para tomar banho, o Moistcare, que é um hidratante corporal livre de parabenos, a ureia, corantes ou fragrâncias, tendo como ativos a aloe vera, a aveia e a camomila.

O consumo sustentável e cuidados com a pele, sobretudo pelo uso de cosméticos, que não atuem de forma agressiva no frágil equilíbrio da pele e tampouco representem riscos para o planeta, levou a uma produção ecologicamente correta, com a utilização, principalmente, de matérias-primas de produtos presentes na biodiversidade de cada país.

Os cosméticos produzidos, segundo esses novos conceitos, são denominados de cosméticos naturais, cosméticos orgânicos ou biocosméticos.

Existem diversas receitas caseiras capazes de substituir os cosméticos de modo eficaz que são feitas com ingredientes 100% naturais e ainda saem bem mais em conta que os cosméticos tradicionais.

O seu médico ou um especialista pode e deve te ajudar a encontrar produtos sustentáveis que não agridam a sua saúde.

Gustavo Safe é diretor e médico especialista em endometriose no Centro Avançado em Endometriose e preservação da fertilidade, Clínica Ovular fertilidade e menopausa e Instituto Safe. Estudioso dos assuntos relacionados à saúde da mulher com enfoque na dor pélvica, infertilidade, preservação da fertilidade, endometriose, endoscopia ginecológica e cirurgias minimamente invasivas.

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Desafios no controle do peso e no ganho de massa muscular

Desafios no controle do peso e no ganho de massa muscular

Desafios no controle do peso e no ganho de massa muscular

Hoje, cada vez mais, valorizam-se mulheres não mais gordinhas ou magrinhas, mas as chamadas “turbinadas”, ou que apresentam um bom (e grande) tônus muscular

No ano de 2019, um em cada quatro brasileiros com mais de 20 anos estava obeso. E foi nesse cenário preocupante que o novo coronavírus chegou ao país, sendo o excesso de peso um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento grave da COVID-19.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou que 60% da população brasileira está obesa ou com sobrepeso, baseado no Índice de Massa Corporal (peso dividido pela altura ao quadrado) que define que uma pessoa com IMC maior que 25 está com sobrepeso e IMC maior que 30 está obesa.

A obesidade entre os jovens adultos mais que dobrou entre 2003 e 2019, passando de 12,2% da população para 26,8%.

Obesidade é considerada uma doença cumulativa decorrente do acúmulo de gordura corporal pelo organismo, em função de uma ingestão de mais calorias do que as calorias queimadas por exercícios físicos e atividades diárias.

O ganho de peso nas mulheres acontece de forma distinta dos homens, pois elas têm mais gordura acumulada pelo corpo, enquanto o homem concentra mais na barriga, o que acaba sendo até mais perigoso para a saúde.

Pode não parecer, mas 62,6% das mulheres brasileiras estão obesas ou com sobrepeso, enquanto entre os homens o problema alcança 57,5%.

Entre 2003 e 2019, a obesidade feminina passou de 14,5% para 30,2%, enquanto a masculina subiu de 9,6% para 22,8%.

A base do tratamento são mudanças no estilo de vida, como dieta e exercícios, embora cada vez mais pessoas estão sendo submetidas a cirurgias bariátricas.

Percebo, no dia a dia dos consultórios, a dificuldade das mulheres em definir uma dieta ideal que atenda a suas necessidades.

A dieta saudável ou fit, além de cara, é muitas vezes mais calórica que a tradicional, gerando dificuldade em perder peso, além do fato de que alguns alimentos saudáveis como, por exemplo, o abacate, que é inflamatório e danoso à saúde intestinal feminina.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo, ouviu cerca de mil pessoas sobre o consumo de açúcar e chegou à conclusão de que 53,5% dos que fazem uso frequente do produto são do sexo feminino.

A explicação pode ser a variação hormonal que ocorre no período pré-menstrual (cólicas, inchaço e irritabilidade), quando os níveis elevados de progesterona e a queda do magnésio inibem a produção de serotonina, aumentando a compulsão por doces, especialmente chocolates.

Prefira chocolates com no mínimo 70% de cacau, pois eles têm mais magnésio e menos açúcar, devendo limitar o consumo a três quadradinhos diários (15 g).

Como forma de minimizar o consumo de açúcar neste período, são indicados os chamados doces funcionais, que seguem a mesma linha de preparo e confecção das refeições funcionais, ou seja, que buscam um equilíbrio perfeito entre os nutrientes, sem abrir mão do sabor, ou de ingredientes que as pessoas tanto adoram e que estão cada vez mais presentes nas prateleiras dos supermercados, e são livres de farinha refinada e açúcar branco, no caso da confeitaria funcional.

Existe uma diferença básica entre a dieta fit e a dieta funcional

  • A primeira se baseia em proteínas, com a diminuição do açúcar, calorias etc. – por ser uma dieta ligada à estética. 
  • A segunda, entretanto, busca aproveitar o máximo dos alimentos para tornar a sua absorção efetivamente funcional para o corpo.

Outra dica é ingerir alimentos reconhecidos como estimulantes da serotonina, como banana, leite semidesnatado, frutos do mar, carnes brancas e ovos. As castanhas também podem ser consumidas, mas com moderação. Neste caso, atenção, pois alguns destes alimentos são inflamatórios (ricos em FODMAP).

Como se não bastasse esses dilemas nas escolhas da dieta, a proura pelo aumento da massa muscular tem sido cada vez mais frequente e esse busca deve levar em conta a diferença que há entre o sexo masculino e o feminino.

Fatores que moveram a nossa evolução, tais quais a caça, a pesca, a subida em lugares altos para fugir de perigos ou encontrar alimento, a necessidade de força bruta para mover objetos pesados, sempre estiveram relacionados ao sexo masculino, o qual desenvolveu estruturas ósseas e musculares mais favoráveis, aliadas as características emocionais e hormonais.

Mas isso tudo não quer dizer que mulheres também não possam aumentar sua massa muscular de maneira significativa através da dieta e exercício físico, evitando o uso de medicações como a gestrinona, que não é isenta de efeitos colaterais.

Como vimos, as mulheres, por questões biológicas e fisiológicas, têm mais facilidade no acúmulo de gordura corpórea, maior retenção de líquido e maior dificuldade em ganhar massa magra, colocando em xeque a escolha de algumas dietas e protocolos, como o jejum intermitente.

O jejum intermitente (é um método de emagrecimento usado para intercalar períodos de jejum com períodos de alimentação) sempre esteve cercado de polêmicas.

A prática é pautada em priorizar não apenas o quê, mas quando você come, e promete uma série de benefícios – desde o emagrecimento até prevenir doenças como câncer e diabetes, por exemplo.

Quando nos alimentamos, a glicose é utilizada para energia e a gordura resultante é armazenada no tecido adiposo como triglicérides. No período de jejum, após 8 a 12 horas da refeição, as gorduras são quebradas em ácidos graxos e o fígado se converte em cetonas, que oferecem energia para o cérebro e outros tecidos.

Contudo, como qualquer tipo de dieta, o jejum intermitente funciona de formas diferentes para cada organismo, podendo levar à queda de massa magra pela maior metabolização da proteína como fonte de energia.

Estudos comprovam, inclusive, que há diferenças relacionadas ao gênero, sendo esta prática menos eficaz para as mulheres.

Embora ainda sejam pesquisas incipientes que precisam ser melhor avaliadas, há embasamento empírico em dizer que mulheres podem ter respostas diferentes ao jejum do que os homens.

Entre os exemplos, um estudo norte-americano de pequeno porte testou a resposta de oito homens e oito mulheres ao jejum. Como resultado, os homens apresentaram uma melhora na sensibilidade à insulina, enquanto sua resposta à glicose permaneceu inalterada.

Enquanto isso, as mulheres não tiveram nenhuma mudança na sensibilidade à insulina e a tolerância à glicose diminuiu. Portanto, é possível que o jejum seja menos eficaz em mulheres para a perda de peso e controle de açúcar no sangue do que para os homens.

É importante salientar que esta prática ainda afeta o ciclo menstrual feminino, uma vez que o sistema reprodutor da mulher é mais sensível às mudanças calóricas, uma vez que a falta de energia afeta o hipotálamo ou a parte do cérebro que regula hormônios, como o estrogênio, que são cruciais para o ciclo menstrual (ovulação e menstruação).

Por isso, as mulheres que fazem jejum intermitente devem garantir uma alimentação balanceada e com energia suficiente para atender às suas necessidades, sendo fundamental contar com o acompanhamento de um especialista.

O jejum intermitente não é conhecido por ser uma dieta, e sim como um estilo de vida. Apesar disso, há quem procure, equivocadamente, a técnica para dar um “choque no corpo” e garantir efeitos de emagrecimento mais rápidos.

No entanto, investir no jejum intermitente, sem o acompanhamento multidisciplinar, pode levar a problemas ginecológicos, causar hipoglicemias severas, deficiências nutricionais, desequilíbrio eletrolítico, perda de massa muscular e óssea, compulsão alimentar e outros transtornos, como anorexia nervosa.

Gustavo Safe é diretor e médico especialista em endometriose no Centro Avançado em Endometriose e preservação da fertilidade, Clínica Ovular fertilidade e menopausa e Instituto Safe. Estudioso dos assuntos relacionados à saúde da mulher com enfoque na dor pélvica, infertilidade, preservação da fertilidade, endometriose, endoscopia ginecológica e cirurgias minimamente invasivas.

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Acupuntura e o poder das suas agulhas na fertilidade

Acupuntura e o poder das suas agulhas na fertilidade

Acupuntura e o poder das suas agulhas na fertilidade

Tratar infertilidade é mais do que tratar casais que querem um bebê. É cuidar das frustrações e ajudar no equilíbrio. A acupuntura melhora as taxas reprodutivas

A acupuntura tem sido cada vez mais utilizada no tratamento de doenças e distúrbios ginecológicos, ajudando nos quadros dolorosos, nos sintomas da menopausa, nos distúrbios menstruais e na infertilidade.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a infertilidade conjugal acomete 15% dos casais em idade reprodutiva.

Este percentual pode sofrer variações em função de diversos fatores, dependendo da população que está sendo avaliada.

Um dos fatores que mais influenciam é a idade, pois muitos casais demoram a casar ou juntar-se e esperam ter filhos após estar financeiramente estabelecidos ou com suas carreiras estáveis.

O aumento da idade leva à diminuição das chances de engravidar, assim como a um aumento das possibilidades de perda fetal ou aborto.

A acupuntura foi reconhecida como uma especialidade médica em 1995, com surgimento dos primeiros trabalhos na infertilidade em 2002.

Em 19 de novembro de 2010, a acupuntura foi declarada Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Geralmente, a acupuntura é segura, quando exercida apropriadamente por profissionais treinados e certificados, usando agulhas esterilizadas ou de uso único. Quando indicada e aplicada corretamente, apresenta baixo grau de efeitos colaterais.

Acupuntura é uma forma de medicina alternativa e um ramo da medicina tradicional chinesa (MTC), no qual finas agulhas são inseridas em pontos definidos do corpo – chamados de “Pontos de Acupuntura” ou “Acupontos” – que se distribuem principalmente sobre linhas chamadas “meridianos” ou “canais de energia”, para obter diferentes efeitos terapêuticos de forma individualizada.

O leque de opções do acupunturista, entretanto, costuma ser bem mais amplo, podendo-se estimular os acupontos e meridianos com os dedos (do-in), instrumentos específicos semelhantes a um pente de osso ou jade (gua sha), ventosas (ventosaterapia), massagens (tui na) e outras técnicas como, por exemplo, a sangria.

Existem dois ramos principais da acupuntura: o que se baseia nos oito princípios da medicina tradicional chinesa, e o que se baseia na teoria dos cinco elementos.

Sua teoria geral é baseada na premissa de que existem padrões de fluxo de energia (Qi) através do corpo, que são essenciais para a saúde, e a desregularização desse fluxo energético resulta na doença.

A técnica corrige os desequilíbrios do fluxo, auxiliando no tratamento da doença.

A medicina tradicional chinesa identifica vários padrões de desarmonia nos casos de infertilidade em mulheres, incluindo falta de energia, ciclos menstruais irregulares e cansaço excessivo

O uso da acupuntura na infertilidade pode se dar em dois contextos diferentes. O primeiro em pacientes com infertilidade, sem causa aparente (ISCA), e o segundo no auxílio das técnicas de reprodução assistida, como fertilização in vitro (FIV).

O médico acupunturista deve ser cuidadoso ao acompanhar as pacientes que o procuram para tentar engravidar, pois antes de tudo é necessário o diagnóstico e acompanhamento correto da infertilidade por um especialista (ginecologista ou infertileuta).

A acupuntura precisa ser usada como terapia complementar à fertilização assistida, e não como forma exclusiva de tratamento da infertilidade.

Nos dias de hoje, as clínicas de reprodução humana têm recomendado o uso da acupuntura como um tratamento complementar aos ciclos de FIV.

Pacientes que realizaram a acupuntura simultaneamente ao tratamento de fertilização assistida tiveram notadamente maior índice de gravidez que aquelas que só fizeram a FIV (cerca de 10% a 12% a mais de pacientes grávidas no grupo com acupuntura).

Os efeitos relatados da acupuntura para a fertilidade incluem:

  1. Aumento do fluxo de sangue na região do útero e dos ovários
  2. Liberação de um neuro-hormônio chamado de β-endorfina e outros neuropeptídeos que estão presentes no hipotálamo, hipófise, medula e ovários.
  3. Regularização dos ciclos através da sua ação no eixo hipotálamo-hipófise-ovário. Sabe-se que o estresse afeta diretamente a ovulação e pode chegar até a inibi-la em alguns casos.
  4. Redução do estresse, através da liberação de substâncias específicas.
  5. Diminuição dos efeitos colaterais das medicações da FIV, como irritabilidade, aumento de peso, inchaço, dores de cabeça, mal-estar geral do corpo.
  6. Melhora a qualidade dos óvulos que serão utilizados naquele ciclo.
  7. Melhora da nidação (implantação na parede do útero) e desenvolvimento do embrião após a transferência.
  8. Oportunidade de relaxamento, consciência corporal e promoção da saúde, focando no bem-estar corporal e autoconfiança da mulher. Aqui não se trata de quais pontos, e sim da visão do todo, da capacidade de escuta e percepção da necessidade de cada paciente.

A recomendação é que o tratamento com as agulhas se inicie antes do processo de fertilização, para melhorar o estado geral da mulher, sempre com o acompanhamento do médico. O tratamento pode ser realizado até com duas sessões semanais nos meses que antecedem o procedimento.

Durante o ciclo da FIV, a acupuntura deve ser realizada antes e logo após a transferência de embriões, na Clínica de Reprodução Assistida, sendo este o dia considerado mais importante de acordo com os trabalhos.

Segundo os trabalhos científicos, a acupuntura pode aumentar em até 15% a 20% as chances de uma gravidez, como podemos observar a seguir:

– Paulus et al, em 2002, mostrou aumento da taxa de gravidez pós acupuntura de 26% para 42%

– Em 2006, Dieterle et al, Smith et al, Westergaard et al com aumento da taxa de gravidez pós acupuntura de 15% para 43%, 22% para 30%, 21% para 35% respectivamente

– Teshima, em 2007, publicou um trabalho nos anais do congresso da ASRM em Washington , mostrando a experiência de 3 anos no tratamento da infertilidade no Brasil, mostrando uma melhora de 37% para 51% ao se associar a acupuntura aos ciclos de FIV no dia da transferência de embriões.

– Mannheimer, em 2008, com sua meta análise com 7 estudos e 1366 pacientes, mostrou um aumento das taxas de gestação clínica (OR 1,65), gravidez viável (OR1,87) e nascidos vivos (OR 1,91)

– Ng et al analisaram 10 estudos randomizados e obtiveram um aumento da taxa de gravidez clínica (OR 1,42 e OR 1,83) quando realizado antes e no dia da transferência de embriões

A Sociedade Brasileira de Reprodução Humana reconheceu a acupuntura como um tratamento complementar recomendado para melhorar a infertilidade, associado às técnicas de reprodução assistida, contando com um capítulo no seu Tratado de Reprodução Assistida desde 2011.

Os tratamentos contra a infertilidade costumam ser bastante estressantes, pois demandam muitos processos que, somados à ansiedade natural da mulher, são capazes de gerar um desequilíbrio.

Existe uma necessidade de mais estudos sobre o assunto, mas os dados existentes validam o uso da acupuntura em conjunto com os tratamentos da reprodução assistida, orientados por um especialista em reprodução humana.

Gustavo Safe é diretor e médico especialista em endometriose no Centro Avançado em Endometriose e preservação da fertilidade, Clínica Ovular fertilidade e menopausa e Instituto Safe. Estudioso dos assuntos relacionados à saúde da mulher com enfoque na dor pélvica, infertilidade, preservação da fertilidade, endometriose, endoscopia ginecológica e cirurgias minimamente invasivas.

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A ciência dos fito-hormônios no tratamento dos sintomas climatéricos

A ciência dos fito-hormônios no tratamento dos sintomas climatéricos

A ciência dos fito-hormônios no tratamento dos sintomas climatéricos

O novo olhar sobre a terapia de reposição hormonal liga-se aos riscos dos hormônios para mulheres no climaterio, e outra percepção sobre plantas medicinais

O período do climaterio é identificado por inúmeras transformações e mudanças nos aspectos biopsicossociais que, se mal conduzidas, podem prejudicar a qualidade de vida e o bem-estar psicológico no dia a dia da mulher.

Apesar do climaterio (período que se inicia aos 45 anos) ser representado pela diminuição dos níveis dos hormônios estrogênio e progesterona nas mulheres, levando à interrupção da menstruação e possíveis sintomas associados, como ondas de calor, secura vaginal e depressão, sua medicalização vem ocorrendo desde as últimas décadas do século 20, através da terapia de reposição hormonal (TRH).

A TRH é hoje reconhecida como o tratamento mais eficaz para redução ou eliminação dos sintomas do climaterio, proteção óssea e cardiovascular, quando bem indicada e individualizada.

Menos de 20 anos depois do início da TRH, ela foi colocada em questão pela Women’s Health Initiative (WHI), promovida, em 1991, pelo National Institute of Health (NIH) do governo dos Estados Unidos.

Em uma de suas pesquisas, o WHI alertava para os riscos de doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral, assim como trombose e câncer de mama associados à TRH, afirmando que os riscos eram, em muitos casos, superiores aos benefícios de alívio dos sintomas relacionados ao climaterio.

A divulgação dos resultados desta pesquisa provocou forte reação da comunidade médica, gerando trabalhos sobre procedimentos e validação de outros recursos terapêuticos em substituição à TRH, principalmente plantas medicinais e alimentícias, utilizadas por diferentes sistemas médicos tradicionais, além dos questionamentos da pesquisa em medicina, como podemos ver pelos títulos destas publicações:

Como nós poderíamos estar tão errados? (Laine, 2002)[

TRH X WHI: a estrela vai a nocaute (Gama ET Al., 2004)

Após a divulgação dos dados do WHI, houve muito interesse e procura pelos “hormônios naturais“, com o viés de que, por serem naturais, não oferecem qualquer risco à saúde da mulher.

É importante ressaltar que tal evento se dá no contexto fortemente influenciado por uma visão de mundo intimamente articulada aos valores da liberdade sexual e da experiência sensível, expressando nesta direção o interesse e busca por práticas terapêuticas ligadas à natureza e a antigos sistemas médicos, como a Medicina tradicional chinesa (MTC), ayurveda, xamanismo, entre outros, reinterpretados e reapropriados culturalmente aos padrões ocidentais.

Uma das alternativas para a terapêutica de reposição hormonal ficou conhecida como “fito-hormônios”, isto é, substâncias de origem vegetal com características hormônios-like.

No Brasil, cerca de 82% da população utiliza produtos baseados em plantas medicinais.

As principais plantas medicinais utilizadas como matérias-primas são: a Angelica sinensis (Oliv.) Diels, Cimicifuga racemosa (L.) Nutt., Glycine max (L.) Merr. (soja) e Dioscorea villosa L. (cará ou inhame), entre outras espécies.

Desta forma, as plantas medicinais utilizadas no tratamento do climaterio em seu estado in natura – na forma de drogas vegetais secas retiradas para serem administradas como chás, percebidas como produtos naturais que fomentaram o mercado das medicinas alternativas – não seriam, neste momento, suficientemente “científicas” para atender aos novos critérios de médicos e pacientes.

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(foto: pixabay)

Alguns grupos de médicos e pacientes buscavam medicamentos “naturais”, mas que tivessem sido submetidos ao processo técnico-científico para atender aos critérios de qualidade e segurança, segundo as especificações de controle de qualidade dos produtos fabricados em grandes laboratórios farmacêuticos.

Além de atender a tais critérios, o novo produto deveria, ao mesmo tempo, contemplar o modelo de precisão de “doses regulares” da biomedicina, sintetizando assim a cadeia de produção que envolvia os processos de purificação, quantificação e padronização de um novo medicamento.

Tal produto deveria ser originário de uma planta medicinal com conhecimento tradicional agregado, manter as características principais da planta de origem e atender às expectativas do paradigma mecanicista da biomedicina de “doses regulares”, como um balizador de segurança e eficácia.

Esse preparado, denominado “extrato seco padronizado”, foi resultado de purificações da planta, que teoricamente deveria conter as substâncias originais da espécie vegetal, porém melhoradas em sua performance químico-biológica, além de ter substâncias químicas de referência, com quantidades regulares, permitindo assim ao clínico prescrever o medicamento segundo estas substâncias de referência e, não necessariamente, pelas características da planta de origem.

A quantificação e a padronização passaram a ser atributos fundamentais nesta nova abordagem das plantas medicinais, atendendo a um só tempo os critérios de controle de qualidade de uma indústria farmacêutica e ao paradigma da biomedicina de doses regulares.

No processo de desenvolvimento do extrato seco padronizado, redes de pesquisa foram articuladas em diversas áreas de conhecimento, envolvendo profissionais com formação em etnofarmacologia, agronomia, botânica, fitoquímica, farmacologia e medicina.

A literatura leiga tem reservado grande espaço para os fitoestrogênios, substâncias à base de isoflavonas, sendo obtidas a partir do metabolismo da soja, com ação comprovada nos receptores estrogênicos.

No caso da soja (Glycine max), por exemplo, sua utilização como preventiva nos sintomas associados ao climaterio partiu da observação da ligação entre o hábito alimentar nas populações de mulheres de origem japonesa e a baixa frequência de sintomas da menopausa, quando comparadas com mulheres ocidentais.

O consumo de soja na alimentação é saudável como aporte proteico, porém, não deve ser consumida como substituta do estrogênio, hormônio responsável pela reposição hormonal em mulheres menopausadas, como defendido por algumas sociedades médicas, como a Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, que faz questão em esclarecer que, mesmo possuindo propriedades naturais, podem apresentar ações deletérias, devendo ser utilizados para proporcionar alívio dos sintomas.

Estudos randomizados com grupo controle já demonstraram que o uso de soja para este fim não promove ganho de massa óssea, não protege o coração e os efeitos nos chamados ‘fogachos’, os calores, são autolimitados ou muitas vezes insuficientes.

A legislação brasileira passou a incentivar, nos últimos anos, a busca por novas alternativas, criando a Relação de Medicamentos Essenciais, indicados pelo Manual de Atenção à Mulher no Climaterio, desde 2008.

Na busca do alívio dos sintomas e a partir do conhecimento dos efeitos colaterais da terapia de reposição hormonal, muitas mulheres recorrem à terapia alternativa, usando, como tratamento, os fitoterápicos e os fitormônios na regulação da produção hormonal, melhora da falta de libido, cansaço físico e mental e melhora dos sintomas da menopausa.

Segue algumas plantas medicinais utilizadas no combate dos sintomas climatéricos:

  • Erva-de-São-Cristóvão (Cimicifuga racemosa)

Esta planta é conhecida por auxiliar em aliviar as cólicas menstruais, porque é anti-inflamatória, anti-espasmódica e contém fitoestrogênios, mas não deve ser usada ao mesmo tempo que o tamoxifeno.

  • Árvore-da-Castidade (Vitex agnus-castus)

Restabelece o equilíbrio hormonal, atuando sob a glândula pituitária, e aumenta a produção de progesterona, mas não deve ser usada em caso de uso de bromocriptina.

  • Agripalma (Leonurus cardiaca)

Esta planta é emenagoga, por isso facilita a descida da menstruação, sendo potencialmente abortiva, não devendo ser usada em caso de suspeita de gravidez. Ela também protege o coração e tem propriedades calmantes e relaxantes, mas não deve ser usada ao ingerir medicamentos antipsicóticos e anti-inflamatórios não esteroides.

  • Pé-de-leão (Alchemilla vulgaris)

É eficiente para cessar a menstruação abundante que, para muitas mulheres, é comum durante o período do climaterio, podendo ser combinada com outras plantas, como Angelica chinesa (Dong quai) e Cohosh-preto para um efeito mais rápido.

  • Ginseng siberiano (Eleutherococcus senticosus)

Auxilia na manutenção do bom humor, é antidepressivo e ajuda a recuperar a libido perdida. Além disso, essa planta ajuda a mulher a se adaptar às mudanças hormonais, diminuindo o estresse e aumentando a energia.

  • Amora Negra (Morus Nigra L.)

As folhas da amoreira auxiliam no combate aos sintomas da menopausa, especialmente contra as ondas de calor, porque contém fitoestrógenos que diminuem a oscilação hormonal na corrente sanguínea.

  • Salva (Salvia officinalis)

Indicada especialmente para combater as ondas de calor na menopausa, ao ajudar na correção dos níveis hormonais, sendo eficaz e bem tolerada pelo organismo.

Apesar de não ser um forte adepto, percebo no dia a dia do consultório que alguns profissionais prescrevem formulações, como esta abaixo, com objetivo de ajudar no combate aos sintomas climatéricos.

Amora 500mg + Tribulus Terrestris 300mg Maca Peruana 300mg Yam Mexicano 150mg Passiflora 150mg Ginseng 40mg Ginko Biloba 60mg 

Existem algumas medicações alternativas capazes de aliviar alguns sintomas climatéricos, como a sulpirida, clonidina, gabapentina, vitamina E, venlafaxina, fluoxetina e a paroxetina.

A recomendação dos especialistas é que a mulher menopausada, que tenha contraindicação para reposição hormonal à base de estrogênio, possa utilizar estas alternativas sempre orientadas por profissionais habilitados, ponderando os riscos e benefícios.

Gustavo Safe é diretor e médico especialista em endometriose no Centro Avançado em Endometriose e preservação da fertilidade, Clínica Ovular fertilidade e menopausa e Instituto Safe. Estudioso dos assuntos relacionados à saúde da mulher com enfoque na dor pélvica, infertilidade, preservação da fertilidade, endometriose, endoscopia ginecológica e cirurgias minimamente invasivas.

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Deficiência de ferro e anemia na vida da mulher

Deficiência de ferro e anemia na vida da mulher

As mulheres tendem a apresentar menores reservas de ferro do que os homens, como consequência do fluxo menstrual, com risco maior para desenvolver anemia

A deficiência de ferro, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é considerada uma desordem de origem nutricional de maior prevalência, acometendo 20% a 30 % da população mundial adulta, sendo que as mulheres, gestantes e crianças são os grupos mais vulneráveis.

As causas da deficiência de ferro, basicamente, são devidas à baixa ingestão, à absorção deficiente deste mineral, além das perdas sanguíneas menstruais.

A prevalência da deficiência de ferro em mulheres entre 20 e 49 anos é de 11%, entre 50 a 69 anos é de 5% e, em faixa etária acima de 70 anos, é de 2%, sendo mais evidente no período associado às menstruações (menacme).

Aproximadamente 30% da população do planeta sofre de algum tipo de anemia.

A anemia é definida como uma deficiência nos níveis de hemoglobina (níveis menores que 12 g/dL em mulheres e menor que 13 g/dL em homens), sendo uma importante proteína das hemácias (glóbulos vermelhos do sangue) que são responsáveis pelo transporte do oxigênio no organismo, cuja deficiência se deve a inúmeras causas que, por sua vez, devem ser afastadas.

Os tipos de anemias e suas causas.

  • Anemias causadas pela falta de nutrientes

Esse é o tipo de anemia mais comum. Alguns nutrientes são essenciais para a produção de glóbulos vermelhos, como o ferro, a vitamina B12 e o ácido fólico que, na deficiência de um deles, é comum apresentar um quadro de anemia.

Anemia Ferropriva – é aquela causada pela falta de ferro no organismo de uma pessoa, sendo prevalente em 90% dos casos.

Anemia Megaloblástica – geralmente é causada pela deficiência de vitamina B12, podendo ser resultado de alimentação inadequada, problemas na absorção de nutrientes durante a digestão ou uso de medicamentos, como alguns usados em tratamentos de câncer.

  • Anemias hereditárias

Nesses casos, a doença é causada por mutações genéticas que comprometem tanto a produção, quanto a vida útil dos glóbulos vermelhos, cujas mutações são herdadas e detectadas precocemente – precocemente logo após o nascimento ou durante os seis primeiros anos de vida.

Anemia Falciforme – nesta manifestação da doença, os glóbulos vermelhos têm um formato semelhante a uma foice. Estas células têm sua membrana alterada e se rompem facilmente, sendo um dos tipos mais comuns de anemias hereditárias.

Talassemia – neste caso, a mutação genética interfere na produção de hemoglobina, o que gera glóbulos vermelhos menores e com menos quantidade da proteína que transporta oxigênio.

  • Anemias causadas por doenças autoimunes

Pessoas com doença autoimune produzem anticorpos que atacam os glóbulos vermelhos, provocando uma anemia hemolítica que pode ser desencadeada por algum quadro viral ou câncer.

  •  Anemias causadas por doenças crônicas

Por interferência de alguma doença crônica, o organismo, ao perceber alguma inflamação, pode retardar a produção de hemácias, o que reduz também a sobrevivência das células. Também é possível desenvolver este tipo de anemia quando o corpo metaboliza o ferro anormalmente, como resultado da doença crônica.

  • Anemia causada por doenças da medula óssea

Embora raros, os casos de anemia aplástica se caracterizam pela redução na produção de glóbulos vermelhos e outros componentes do sangue. Tal condição pode ser adquirida ao longo da vida, depois de radioterapia, quimioterapia, exposição a substâncias químicas tóxicas (agrotóxicos e inseticidas) ou, até mesmo, após uso de alguns medicamentos.

Entre as possíveis causas da anemia por deficiência de ferro, as perdas sanguíneas menstruais constituem o principal fator da anemia ferropriva na mulher adulta.

A anemia se desenvolve lentamente, depois de esgotadas as reservas de ferro no corpo e na medula óssea.

Inicialmente, ocorre depleção dos depósitos de ferro no organismo, o que se constata com a diminuição da ferritina.

A ferritina é uma proteína produzida pelo fígado, responsável pelo armazenamento do ferro no organismo. Assim, o exame de ferritina sérica é feito com o objetivo de verificar a falta ou excesso de ferro no organismo.

A ferritina baixa comumente indica que os níveis de ferro estão baixos e, por isso, o fígado não produz a ferritina, já que não há ferro disponível para ser armazenado.

Nos dias atuais é muito frequente, em diversos consultórios médicos, a discussão sobre a ferritina, pois sempre existe uma referência a familiares, amigos, vizinhos e conhecidos que apresentam níveis alterados em exame de sangue.

O exame é solicitado, algumas vezes, junto com uma dosagem de ferro e da capacidade total de transporte de ferro, visando detectar e avaliar a gravidade da deficiência ou excesso de ferro.

A contagem de reticulócitos evidencia a capacidade regenerativa da medula, sendo que valores inferiores a 2% ou contagem absoluta de menos de 50.000/mm³ indicam incapacidade da medula para responder ao estímulo anêmico.

No início, a deficiência de ferro inicial não causa nenhum efeito físico.

Se a pessoa não apresentar outros problemas, os sintomas são raros, mesmo antes que a hemoglobina caia abaixo de certo nível (cerca de 10,0 g/dL).

Entretanto, com o progresso da carência de ferro, começam a surgir os sintomas comuns de deficiência de ferro, que incluem fadiga crônica, fraqueza, tontura e cefaléia (dores de cabeça), palidez na pele e mucosas ou falta de apetite.

Ao continuar a depleção (redução) das reservas, pode haver falta de ar, sonolência e irritabilidade.

Se a anemia aumentar, pode ocorrer dor torácica, cefaléia, dores nas pernas, choque e insuficiência cardíaca.

Na decorrência da redução das reservas ocorre comprometimento da eritropoese (produção de hemácias), como observado em valores inferiores da Hemoglobina Corpuscular Média (HCM) e no Volume Corpuscular Médio (VCM).

Sequencialmente, observa-se uma diminuição nos valores da hemoglobina e do hematócrito, o que compromete a oxigenação tecidual, instalando-se, então, o quadro de anemia.

Para que ocorra adequada eritropoese, a quantidade de ferro necessária é de 5 mg a 10 mg/dia.

Se o fornecimento for inferior a 70% deste valor, ocorre a depleção dos estoques, e, em aproximadamente quatro meses, a eritropoese passa a ser deficitária, o que acarreta queda de 1.0 g/dL nos valores de hemoglobina.

Estudos têm mostrado valores médios de perdas sanguíneas entre 25 a 30 mL/mês no fluxo menstrual, o que representa uma perda mensal entre 12,5 e 15 mg de ferro, ou ainda, de 0,4 a 0,5 mg/dia, nos 28 dias de um ciclo menstrual.

Quando se agregam as perdas basais, a perda total de ferro devido à menstruação é cerca de 1,25 mg/dia.

Isso significa que a necessidade de ferro, em aproximadamente 50% de todas as mulheres, é superior a este valor.

As causas de anemia na mulher diferem de acordo com as suas diferentes fases da vida: infância, menacme, gravidez e climatério.

Em mulheres em idade fértil, a principal causa de deficiência de ferro é o hiperfluxo menstrual.

No que se refere à avaliação das perdas menstruais, uma boa avaliação pelo ginecologista é feita através de uma anamnese dirigida, no sentido de se caracterizar os ciclos menstruais com relação à duração do fluxo, regularidade, volume excessivo (acima de 80ml) e presença de coágulos.

Uma forma prática e fácil consiste em avaliar o número de absorventes utilizados diariamente e o intervalo de troca entre eles.

Estima-se que 50% das pacientes com sangramento uterino disfuncional tenham idade em torno de 45 anos e que, aproximadamente, 20% sejam adolescentes, estando associado com função ovariana anormal e anovulação, sem existência de outras causas ginecológicas que possam contribuir para as perdas vaginais irregulares e abundantes, como pólipos, miomas uterinos e tumores pélvicos.

Outros fatores relacionados que devem ser avaliados é a concomitância com outros estados mórbidos, como: epilepsia, galactorréia, hirsutismo, tireopatia, doenças crônicas (diabetes melitus, doenças hepáticas e renais), discrasias sanguíneas, estado nutricional e hábitos de vida, como os alimentares, excesso de atividade física, etilismo, tabagismo, entre outros, ou o uso de medicamentos, como hormônios exógenos, ácido acetilsalicílico (AAS-Aspirina), anticoagulantes, anticonvulsivantes, antidepressivos tricíclicos e digitálicos.

Quando a intensidade da anemia for desproporcional à perda menstrual, outra causa deve ser investigada.

Em aproximadamente 20% das mulheres ocorre sangramento do trato gastrointestinal conjuntamente, cuja investigação deve ser considerada na presença de dor abdominal, dispepsia, refluxo, perda de peso, história familiar de câncer digestivo, presença de anemia refratária ou recorrente e história prévia de doença peptic (gástrica).

Alimentação rica em frutas, verduras, cereais, leguminosas, leite, ovos e carnes são indicados para a prevenção, mas suplementos com ferro são indicados eventualmente para suprir a deficiência deste mineral, assim como suplementos com vitamina B, sempre sob supervisão médica.

O aleitamento materno é importante para evitar a anemia em bebês nos primeiros meses de vida.

Em caso de perda de sangue, transfusões podem ser necessárias, ou ainda o uso de medicamentos para indução de formação de células sanguíneas.

Gustavo Safe é diretor e médico especialista em endometriose no Centro Avançado em Endometriose e preservação da fertilidade, Clínica Ovular fertilidade e menopausa e Instituto Safe. Estudioso dos assuntos relacionados à saúde da mulher com enfoque na dor pélvica, infertilidade, preservação da fertilidade, endometriose, endoscopia ginecológica e cirurgias minimamente invasivas.

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