Além de representar força, beleza, feminilidade e liberdade, o cabelo evidencia sua identidade, seu estilo, seu humor, e é símbolo do empoderamento feminino

No dia a dia do consultório, tem se tornado frequente a queixa das mulheres em relação ao cabelo (quedas no couro cabeludo ou excessos em certas regiões), gerando uma insatisfação que pode até afetar a autoestima (percepção que você tem de si mesma, podendo ser positiva ou negativa) que, por sua vez, interfere no psicológico e que interfere no seu equilíbrio, gerando um ciclo vicioso.

O folículo piloso é um anexo da nossa pele responsável pela produção e crescimento do pelo, que é composto por uma haste capilar, músculo eretor do pêlo, glândula sebácea e sudorípara, bulbo e outros tecidos não menos importantes.

Os folículos têm a capacidade de se agrupar no couro cabeludo, exteriorizando para fora da pele de um até sete pelos ou fios de cabelo.

Estes folículos são a fábrica de cabelo; são deles que nascem o fio de cabelo ou pelo, estruturas sem vida e que perduram por muitos anos.

O ser humano tem em torno de 5 milhões de folículos por todo o corpo, sendo 120 mil deles no couro cabeludo. Existem diversos tipos de pelos, que, em épocas diferentes, recobrem o corpo humano.

  • Lanugem: é o pelo que cobre o feto e desaparece após o nascimento. É delgado e macio.
  • Velus: é o pelo que substitui a lanugem após o nascimento. É macio, fino (< 0,1 mm), curto (< 2 cm) e pouco pigmentado. Pode ser encontrado normalmente nas faces das mulheres ou na área de calvície dos homens.
  • Pelo terminal: é o pelo que substitui o velo, sendo mais comprido (> 2cm), mais grosso (até 0,6 mm), pigmentado, visível e medulado. Encontrado nas axilas, regiões pubianas, pernas, sobrancelhas, cílios, barba, bigode e nos cabelos do couro cabeludo.

A genética é muito importante na definição do crescimento do cabelo, cuja velocidade pode variar de um indivíduo para o outro.

Hipertricose é uma condição distinta. Representa simplesmente o crescimento aumentado de pelos em qualquer área do corpo. Ela pode ser localizada ou generalizada e apresenta um contexto genético importante (mutação).

O cabelo humano cresce num padrão cíclico contínuo de crescimento, descanso e queda, conhecido como ciclo de crescimento.

Calcula-se que o cabelo cresça, em média, 1 milímetro a cada três dias, o que dá cerca de 1 centímetro ao mês e 12 centímetros por ano, números que podem variar em função da idade.

Algumas crenças, como cortar o cabelo em função das fases da lua e aparar as pontas para dar força e acelerar o crescimento, são infundadas. O que pode ser afetado é o ritmo de queda dos fios.

Os períodos de crescimento (fase anágena) duram entre dois e oito anos e são seguidos por um breve período, de duas a quatro semanas, em que o folículo é quase totalmente degradado (fase catágena). Em seguida, começa a fase de repouso (telógena), que dura de dois a quatro meses.

A perda normal do cabelo, não relacionada à calvície, ocorre quando começa o próximo ciclo de crescimento (fase anágena) e um novo fio começa a emergir, expulsando o fio que estava em repouso no folículo.

Em média, 100 cabelos telógenos caem a cada dia. Esta é a perda de cabelo normal e explica os fios que se acumulam cotidianamente no ralo do chuveiro e na escova de cabelo. Já experimentou contar? Geralmente, não mais do que 10 por cento dos folículos estão na fase de repouso (telógena).

Vários fatores podem afetar o ciclo de crescimento do cabelo e causar queda temporária ou permanente (alopécia), incluindo medicamentos, radioterapia, quimioterapia, exposição a substâncias químicas, fatores nutricionais, doenças da tireoide, doença de pele generalizada ou local, estresse e distúrbios hormonais nas mulheres.

O crescimento de pêlos depende do equilíbrio entre androgênios (testosterona, sulfato de dehidroepiandrosterona – DHEAS -, di-hidrotestosterona – DHT) e estrogênios.

Andrógenos promovem o crescimento espesso e escuro dos fios de cabelo, onde a testosterona estimula o crescimento de pelos na região pubiana e nas axilas e a di-hidrotestosterona estimula o crescimento dos pelos da barba e regula a perda no couro cabeludo.

O crescimento de cabelo do couro cabeludo não é andrógeno-dependente, mas os andrógenos são os responsáveis pela calvície de padrão masculino e feminino.

O cabelo da área central do couro cabeludo sofre mais essa influência, pois possui mais receptores que os cabelos da base e da lateral da cabeça.

Estrógenos diminuem o crescimento dos pelos ou os modulam para se tornarem finos e delicados.

Geralmente, o cabelo, os pelos e a barba crescem 1 centímetro por mês, mas existem alguns truques e dicas que podem fazê-los crescer mais rápido, como garantir todos os nutrientes que o corpo precisa para formar os fios e melhorar a circulação sanguínea local.

Hirsutismo é o crescimento excessivo de pelos grossos e negros em mulheres nas localizações que são mais típicas do homem (bigode, barba, região mediotorácica, ombros, abdome inferior, dorso e face lateral e interna das coxas).

Na mulher, o velus existente nessa região é transformado em pelo terminal devido ao excesso de hormônio masculino.

A quantidade de crescimento dos pelos que é considerada excessiva depende da etnia e interpretação cultural.

Hirsutismo pode ocorrer por causa do aumento dos níveis de androgênio na circulação, decorrente de doenças ovarianas (síndrome dos ovários micropolicísticos, tumores ovarianos) ou produção aumentada nas suprarrenais (hiperplasia congênita, tumores, etc), ou decorrente de uma resposta aumentada do órgão final aos andrógenos (aumento da conversão periférica da testosterona para a DHT pela 5-alfa-redutase).

Existem substâncias como a ciproterona e a espironolactona que são capazes de inibir a 5 alfa redutase, diminuindo esta conversão periférica, sendo uma arma importante nessa abordagem.

Os níveis livres de androgênios também podem aumentar, como resultado da diminuição da produção de hormônios sexuais ligados à globulina que , por sua vez, pode ocorrer em uma variedade de condições, incluindo hiperinsulinemia, hiperprolactinemia e excesso do próprio androgênio.

SHBG são proteínas carreadoras de androgênio na circulação, produzidas pelo fígado e estimuladas pelo Estrogênio, por exemplo.

Esse é um dos mecanismos através do qual podemos explicar como o uso de um anticoncepcional oral com estrogênio pode melhorar a oleosidade da pele e diminuir o hirsutismo.

Hirsutismo na gestação e menopausa ocorre por causa de flutuações temporárias e fisiológicas nos níveis de androgênios.

O escore de Ferriman-Gallwey modificado avalia nove áreas do corpo, gerando uma pontuação de 0 a 4 pontos cada uma, de acordo com a intensidade do aumento de pelos no local. Para ser considerado hirsutismo, precisamos de pelo menos 8 pontos, sendo de 8 a 15 classificados como leve.

Escores mais elevados podem ser acompanhados por virilização, o que se manifesta como diminuição da menstruação, aumento da massa muscular, engrossamento da voz, acne, alopécia androgênica e aumento do clitóris.

O cabelo vai além da estética. Ele mostra a sua personalidade, quem você é – seja curto, longo, liso, cacheado, colorido. Ele comunica e te identifica. Logo, ele também é um dos principais motivos para você se sentir bem com a sua aparência e gerar autoconfiança.

Logo, as queixas relacionadas ao cabelo não devem ser banalizadas pelos médicos.

A abordagem deve começar com a busca do equilíbrio através da diminuição do estresse que aumenta o cortisol que, por sua vez, aumenta a produção hormonal masculina pela supra renal, o que age diretamente na saúde dos fios, causando caspas, queda e secreção sebácea anormal.

A seguir, devemos estimular mudanças de hábitos para cuidar dos cabelos:

  • 1. Não lave o cabelo com água quente

Lavar o cabelo com água quente faz com que a oleosidade natural da região seja retirada e, assim, acontece o efeito rebote: o cabelo passa a produzir ainda mais sebo e entope os folículos. Melhor usar água gelada ou, no máximo, morna na hora de lavar a cabeça.

  • 2. Utilize shampoo para o seu tipo de cabelo
  • 3. Tenha uma alimentação saudável

Invista em alimentos com as vitaminas A, B, C, E e D, além de micronutrientes, como ácido fólico, biotina (vitamina H) e sílica, presentes em frutas e vegetais. Alimentos ricos em ômega 3, ferro e zinco, também são indicados. A falta de ferro é uma das principais causas da queda de cabelo, pois este mineral faz parte da formação dos glóbulos vermelhos e nutre os folículos capilares, o que deixa os fios mais fortes.

  • 4. Massageie o couro cabeludo

Massagear o couro cabeludo com a ponta dos dedos, fazendo movimentos circulares na hora do banho, enquanto você lava com shampoo, ajuda a ativar a circulação sanguínea da região e, consequentemente, faz com que o sangue leve mais nutrientes para a raiz dos fios.

  • 5. Invista na hidratação

A hidratação do corpo, no geral, pela ingestão de água, também vai ajudar no estímulo do crescimento dos fios.

  • 6. Elimine as pontas duplas

Sempre que notar a presença de pontas duplas ou fios quebradiços, apare as pontas ou corte o cabelo.

  • 7. Quanto menos atrito, melhor

Evite a escovação a seco, use pentes mais largos e tenha atenção ao atrito com a fronha do travesseiro (ideal cetim) e a consequente quebra durante o sono.

  • 8. Evite usar secador na raiz

Melhor manter certa distância do calor do secador na região ou usar secador sem calor.

  • 9. Não use condicionador na raiz

O condicionador aplicado no couro cabeludo pode entupir os folículos pilosos, onde os fios crescem, além de provocar o enfraquecimento dos folículos e causar a queda de cabelo.

  • 10. Evite penteados muito apertados

Muitas pessoas acreditam que prender o cabelo faz com que ele cresça ou, até mesmo, que trança faz o cabelo crescer, mas isso é mito. Colocar essa pressão no couro cabeludo pode inibir o fluxo de sangue e causar quebra e queda de cabelo, além de falhas locais permanentes.

Se você perceber que o seu cabelo está caindo mais do que o normal ou notar que os fios não estão crescendo na velocidade que deveriam, procure um médico especialista que pode ajudá-la a resolver o problema e indicar o tratamento certo.

A cirurgia de transplante capilar evoluiu muito nos últimos anos, seja através da técnica tradicional ou da técnica FUE (extração da unidade folicular) que repõe o cabelo, mas não evita a sua queda.

Segundo um amigo dermatologista e especialista, não adianta encher a piscina com água se não fechar o ralo. Desta forma, medicamentos como finasterida e minoxidil podem atuar, diminuindo a queda, em conjunto com as medidas anteriormente sugeridas.

Em relação ao hirsutismo, o tratamento estético através dos diversos tipos de depilação (cera, pinça, lâmina, creme, laser e luz pulsada) ajuda a mulher a melhorar a autoestima. Os avanços da depilação a laser e luz pulsada foram impactantes nesta abordagem de uma forma mais definitiva com a destruição do folículo piloso.

Gustavo Safe é diretor e médico especialista em endometriose no Centro Avançado em Endometriose e preservação da fertilidade, Clínica Ovular fertilidade e menopausa e Instituto Safe. Estudioso dos assuntos relacionados à saúde da mulher com enfoque na dor pélvica, infertilidade, preservação da fertilidade, endometriose, endoscopia ginecológica e cirurgias minimamente invasivas.

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