Energéticos cada vez mais necessários e presentes no dia a dia da mulher

Energéticos cada vez mais necessários e presentes no dia a dia da mulher

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Energéticos cada vez mais necessários e presentes no dia a dia da mulher

Com a correria do dia a dia é comum as pessoas se sentirem cansadas e procurarem por alternativas que possam ajudar a manter o ritmo, como mudança de hábitos e a utilização de bebidas e comprimidos energéticos.

Muitas pessoas pensam que o cansaço, falta de disposição ou falta de energia no corpo pode ser algo normal, decorrente da correria do dia a dia, mas pode ser um sinal de algum problema no organismo ou consequência de uma série de fatores, como má alimentação, estresse, noites mal dormidas ou doenças como hipotireoidismo e depressão.

É importante entender esses sinais que podem indicar que sua saúde está sendo comprometida de alguma forma. Saúde é muito mais do que ausência de doença. Uma saúde plena significa bem-estar e disposição para viver diretamente ligada ao seu estado físico, mental e emocional.

O estresse é uma condição bastante comum nos dias de hoje. Pessoas que sofrem com estresse excessivo tendem a aumentar o nível de cortisol, o que resulta em ansiedade e baixa energia, além de esgotar nutrientes e vitaminas importantes para manter nossa disposição.

Excesso de trabalho e sedentarismo também são problemas cada vez mais presentes no dia a dia das pessoas, principalmente das mulheres.

Praticar atividades físicas em excesso pode te deixar cansado devido ao desgaste e fadiga, mas a ausência de exercícios também pode roubar sua energia pela ausência de produção de substâncias como as endorfinas.

As endorfinas, assim como a noradrenalina, a acetilcolina e a dopamina, é utilizado pelos neurônios na comunicação do sistema nervoso. Esta substância química que é transportada pelo sangue, faz comunicação com outras células sendo considerada como o hormônio do bem-estar.

A falta de sono, ou sono não reparador, é um dos grandes responsáveis pela falta de disposição. Sabemos que a quantidade de horas necessárias para o funcionamento saudável do corpo humano e até para a nossa sobrevivência depende da idade e pode variar de uma pessoa para outra. 

Desde a década de 70 a ciência vem pesquisando a importância de uma boa noite de sono e como dormir melhor. A conclusão é de que um adulto saudável deve dormir, diariamente, entre 7 horas e 7 horas e meia.

Para muitas pessoas, álcool é sinônimo de relaxamento e descontração, podendo ajudar a repor as energias quando em pequenas quantidades. Em quantidades moderadas e altas já podemos comprometer a qualidade do sono e esgotar os níveis ideais de vitaminas responsáveis por manter nossa energia.

Seja para aguentar a rotina pesada no trabalho ou faculdade, seja para fazer treinos mais pesados e intensos: energia é fundamental! 

Substâncias termogênicas são muito usadas por quem quer queimar gordura e emagrecer, mas elas vão muito além disso, pois elas podem ser um aliado poderoso no aumento da energia e da disposição. Algumas substâncias termogênicas são também estimulantes como a cafeína que é a principal delas.

Possivelmente o cafezinho seja o energético mais famoso do mundo, mas seu “poder” energético é limitado. São cerca de 40mg de cafeína por xícara que ajuda a dar um gás ao longo do dia e pode ser uma excelente pedida.

A concentração de cafeína nos energéticos equivale a três xícaras de café. É uma alta dosagem que pode afetar seu sistema nervoso central, causando desidratação e perda de nutrientes que têm efeito calmante.

Lembremos que a cafeína em excesso pode provocar um efeito contrário e diminuir os níveis de energia após os picos iniciais. Se a ingestão de cafeína ocorre com muita frequência, você corre o risco de ter um efeito rebote ao gastar sua energia ao longo do tempo e sentir falta de disposição diariamente. 

Consumir muita cafeína (intoxicação aguda) pode gerar vômitos, aumento da pressão arterial, convulsões, aumento dos batimentos cardíacos e até mesmo a morte.

Os energéticos proporcionam maior disposição física, graças aos efeitos da cafeína presentes na bebida. As vitaminas do complexo B presentes na maioria dos energéticos também contribuem para a redução do cansaço e da fadiga propiciando um melhor desempenho mental.

Mesmo que o energético possa dar mais energia para enfrentar o dia, eles contêm substâncias que podem afetar o seu organismo como o açúcar, a taurina, o inositol e a glucoronolactona. 

Alimentos com alto teor de açúcar ou carboidratos refinados possuem pouco valor nutricional e não oferecem os nutrientes essenciais para manter nosso corpo ativo e enérgico. Por mais que o açúcar aumente a nossa energia, esse pico é considerado momentâneo e dentro de algumas horas você poderá notar que não está com a mesma disposição.

A taurina é um aminoácido produzido pelo nosso corpo que tem ação desintoxicante, antioxidante e ajuda no bom funcionamento do coração. A correria do dia a dia e o estresse ocasionam a eliminação de taurina.

Além das bebidas energéticas, o leite materno, as fórmulas infantis e os frutos do mar também são boas fontes de reposição deste aminoácido.

Os energéticos não possuem glúten ou qualquer tipo de produto de origem animal em sua composição sendo liberado para determinadas dietas.

Kimera é um produto prático, barato e de fácil utilização para quem precisa de energia rápida e barata, seja para um treino mais intenso ou para aguentar a rotina pesada no trabalho ou na faculdade. Com 300mg de cafeína por dose, Kimera tem ainda extrato de chá verde, gengibre e citrus aurantium, que maximizam o efeito energético do produto.

Os energéticos naturais podem ser uma ótima alternativa como as combinações a seguir:

  • Chá de erva doce (vitamina b6), canela (termogênica) e ginseng (anti estresse).
  • Abacaxi (vitamina c) com hortelã e gengibre (termogênico).
  • Suco de laranja (antioxidante), limão e cenoura (ajuda na digestão)
  • Vitamina de banana, aveia e canela ou Suco de limão com guaraná em pó (ótimo energético natural com cafeína)

Para aguentar a rotina, a pandemia da COVID-19, cada vez mais tem se utilizado energéticos para se manter animado e bem disposto, mas não podemos esquecer que existem hábitos que podem ser adotados e que ajudam a alcançar esses objetivos.

Manter uma rotina de horário como acordar cedo é uma alternativa confortável. Muitas vezes queremos ficar mais tempo na cama, mas manter uma rotina de horário deixa o corpo mais adaptado ao dia a dia (relógio biológico), funcionando conforme suas necessidades. 

Coloque o despertador e levante assim que ele despertar!

Atividade física ao ar livre com exposição ao sol ajuda na produção de vitamina D no organismo. Essa vitamina fornece cálcio aos ossos e ajuda na liberação de nutrientes que ajudam a combater doenças psíquicas, como a depressão e a ansiedade.

Alimentar-se bem no café da manhã com uma refeição equilibrada, com base em carboidrato e vitaminas pode proporcionar mais animação, foco e bem-estar ao longo do dia, permitindo que você se sinta disposto a continuar com os seus afazeres.

A medicina funcional que aborda a falta de energia e disposição, investiga todos os sintomas (físicos e emocionais) e contextos (ambiental e histórico) em que o paciente se encontra. A análise destes fatores, somados aos exames laboratoriais, instruíram o especialista de informações para propor um tratamento individualizado.

Alerta importante de que a falta de energia e o cansaço constante, que impedem a realização de atividades diárias como ir à escola ou trabalho, podem indicar um quadro de hipotireoidismo ou depressão.

Gustavo Safe é diretor e médico especialista em endometriose no Centro Avançado em Endometriose e preservação da fertilidade, Clínica Ovular fertilidade e menopausa e Instituto Safe. Estudioso dos assuntos relacionados à saúde da mulher com enfoque na dor pélvica, infertilidade, preservação da fertilidade, endometriose, endoscopia ginecológica e cirurgias minimamente invasivas.

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Hipertensão arterial, inimiga oculta cada vez mais precoce na vida feminina

Hipertensão arterial, inimiga oculta cada vez mais precoce na vida feminina

A hipertensão arterial é uma doença silenciosa que tem acometido mulheres de forma mais precoce que o usual período do climatério

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é um dos problemas de saúde pública mais importantes no mundo, já que é um importante fator de risco para a ocorrência do AVC, acidente vascular cerebral (80%) e infarto agudo do miocárdio (40%).

Um em cada quatro brasileiros sofre de HAS, sendo que, após os 60 anos, essa proporção ultrapassa os 50% e chega a 60% – 70% das pessoas acima dos 70 anos.

A HAS pode ser conceituada como uma doença crônico-degenerativa de natureza multifatorial, na grande maioria dos casos assintomática, que compromete fundamentalmente o equilíbrio dos sistemas vasodilatadores e vasoconstritores que mantêm o tônus vasomotor, o que leva a uma redução da luz dos vasos e danos aos órgãos por eles irrigados.

O coração é a bomba que faz o sangue rico em oxigênio e nutrientes chegar a todos os órgãos e tecidos por meio das artérias e suas ramificações. O trajeto de ida se faz pelas artérias e o de volta se faz pelas veias.

Quando o músculo cardíaco se contrai (movimento chamado de sístole), ele ejeta sangue com força para os vasos, exercendo pressão contra suas paredes. Em seguida, ele relaxa e se enche de sangue (movimento chamado de diástole).

É por isso que a aferição da pressão arterial envolve sempre duas medidas: a máxima (sistólica), exercida durante a batida do coração, e a mínima (diastólica), presente entre as batidas.

Pressão sanguínea é a capacidade do líquido sanguíneo de exercer pressão sobre os vasos, sendo finamente regulada por mecanismos fisiológicos.

O nível de pressão arterial saudável e ideal para um adulto é, no máximo, 12/8 ou 120/80 mmHg, sendo 12 a pressão sistólica, e 8 a diastólica. Esses valores devem ser levados em consideração nos momentos em que a pessoa estiver em repouso.

Quando os valores de aferição de pressão chegam ou passam de 14/9 se caracteriza a hipertensão. Nesse caso, a busca de ajuda médica é essencial para que um tratamento seja estabelecido e outras consequências da condição sejam evitadas.

Um quadro de hipotensão, ou pressão baixa, é identificado quando estes valores estão mais baixos do que 10/6. Nesse caso, é normal que a pessoa se sinta nauseada, tonta e pode, até mesmo, desmaiar.

A pressão arterial se modifica ao longo do dia, dependendo de fatores como estar deitado ou de pé, relaxado ou em atividade, nervoso ou tranquilo, estando mais baixa ao se levantar e mais elevada no final do dia.

Quando você corre, por exemplo, é natural que suas pressões sistólica e diastólica aumentem, e isso não é um problema, pois quem pratica atividade física regularmente tende a ter a pressão mais controlada e um coração que não precisa fazer tanto esforço para bombear o sangue.

Para entender o processo, imagine uma torneira ligada a uma mangueira para regar uma planta. Se você apertar um trecho da mangueira com a mão (aumentar a resistência), a passagem de água fica comprometida e você terá que abrir mais a torneira (aumentar a pressão) para manter o mesmo fluxo.

Só que, com o passar do tempo, a força exercida contra a parte mais apertada pode danificar a parede, além de forçar mais o coração, o que compromete a perfusão dos tecidos a longo prazo. Os mecanismos regulatórios da pressão sanguínea dividem-se classicamente em rápidos (ou reflexos), médios (ou humorais) e longos (ou renais).

O mecanismo rápido consiste em um conjunto de fibras autonômicas que estão em interação com os vasos e os líquidos sanguíneos, como o barorreflexo, o quimiorreflexo e o osmorreflexo.

O mecanismo médio consiste em ajustes humorais por substâncias que são produzidas e mantêm interação com seus receptores, agindo nos próprios vasos ou em centros de controle, como o óxido nítrico e a angiotensina.

O mecanismo longo ou renal consiste no controle em longo prazo do volume plasmático, no intuito de controlar a concentração de hidrogênio, sódio e outros eletrólitos.

Em decorrência de fatores genéticos, ambientais, de comportamento e de hábitos alimentares, esses mecanismos de controle são afetados, interferindo diretamente na regulação da pressão sanguínea, levando a doenças, como a hipertensão arterial.

Apesar de apresentar alta prevalência, ainda existe uma grande porcentagem de indivíduos que desconhecem serem portadores da HAS.

Dos pacientes que sabem do diagnóstico, cerca de 40% ainda não estão em tratamento ou estão com os níveis de pressão arterial descontrolados.

Sempre que uma pessoa está nervosa, o organismo libera adrenalina e a pressão tende a aumentar transitoriamente. Alguns pacientes podem apresentar valores altos apenas quando estão no médico ou no hospital – o fenômeno é chamado de “hipertensão do jaleco branco”, quadro bem mais frequente durante as consultas ginecológicas.

É por isso que o diagnóstico, em geral, envolve aferições em três diferentes ocasiões.

Pessoas acima de 20 anos de idade devem medir a pressão ao menos uma vez por ano. Se houver casos de pessoas com pressão alta na família, deve-se medir, no mínimo, duas vezes por ano.

O grande problema é que, quase sempre, não dá para perceber que a pressão está elevada. Por isso, o diagnóstico geralmente demora, ou o paciente tratado acha que está bem e se descuida no controle.

Embora raros, os sintomas podem incluir dor de cabeça, tontura, zumbido no ouvido, fraqueza, visão embaçada e sangramento nasal.

Portanto, em decorrência da alta morbimortalidade associada à HAS e dos custos elevados para o seu tratamento (principalmente o custo de suas consequências), torna-se imprescindível um diagnóstico e o tratamento adequados para a modificação da história natural da doença hipertensiva.

Em mulheres, a prevalência da HAS apresenta um aumento significativo após os 50 anos, sendo esta mudança relacionada de forma direta com a menopausa (queda do estrogênio).

Há suspeitas de que a pílula anticoncepcional possa ter contribuído para o aumento de hipertensão entre as mulheres, assim como a obesidade, sedentarismo, estresse, comida gordurosa e com alto teor de sal.

Com relação à raça, além de ser mais comum em indivíduos afrodescendentes (especialmente em mulheres), a HAS é mais grave, apresentando maior taxa de mortalidade.

A má adesão ao tratamento (incluindo a maior dificuldade de acesso ao atendimento médico), infelizmente adiciona maior risco à raça negra.

Mesmo com todos os alertas dos médicos, a hipertensão parece não preocupar as pacientes, que não verificam a pressão arterial com assiduidade e associam o problema a crises passageiras e não a uma doença que precisa de tratamento prolongado.

Mulheres desenvolvem pressão alta mais cedo que homens, de acordo com as conclusões de um estudo norte-americano que comparou a evolução da hipertensão ao longo da vida de mais de 30 mil pessoas.

Os pesquisadores do Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles, na Califórnia, constataram que os vasos sanguíneos das mulheres, incluindo artérias grandes e pequenas, envelhecem mais rapidamente do que os dos homens.

Todos os pacientes diagnosticados com hipertensão precisam de maior atenção quando o assunto é COVID-19, pois são considerados grupo de risco. Já aqueles que estão com a doença descontrolada têm maior chance de sofrer com complicações quando testados positivos.

A medida da pressão arterial de forma indireta, com método auscultatório, utilizando-se esfigmomanômetro aneróide ou de coluna de mercúrio devidamente calibrados, ainda é considerada o melhor método.

A medida ambulatorial da pressão arterial (MAPA) e a medida residencial da pressão arterial (MRPA) são ferramentas de grande utilidade em situações específicas.

A melhor forma de aferir a pressão em casa é utilizando um aparelho digital, de preferência o que tem a braçadeira. O mais importante é saber a maneira correta de fazer o procedimento.

No caso do primeiro, é preciso colocar a parte inferior da braçadeira em torno de 3 centímetros acima da dobra do cotovelo e deixar o fio por cima do braço. Assentado, com o cotovelo apoiado numa altura acima do diafragma ou do coração e a palma da mão virada para cima, então ligue o aparelho e deixe que ele faça toda a leitura.

Sempre que possível, utilizar o braço esquerdo, que pode apresentar números ligeiramente mais elevados em relação ao direito, pela proximidade com o coração.

As mulheres pós-menopáusicas são susceptíveis a risco maior de doenças cardiovasculares em relação àquelas que se encontram no período fértil. Em alguns casos, o risco é até maior que nos homens (acima dos 70 anos de idade), mostrando que fatores de distinção entre homens e mulheres são importantes na regulação da pressão arterial.

Isso indica o possível papel dos hormônios androgênicos nessa regulação. Nas mulheres, a presença do estrogênio pode ser um fator de regulação da pressão arterial. Estudos demonstram o papel cardioprotetor desse hormônio e o efeito de aumento da pressão arterial da testosterona.

Cerca de 90% dos pacientes diagnosticados têm a chamada hipertensão primária ou essencial, quando não há uma doença ou condição que a justifique.

Os fatores de risco para o desenvolvimento da hipertensão arterial são:

– Hereditariedade: a pessoa tem uma predisposição herdada do pai ou da mãe.

– Idade: a pressão alta é mais comum em indivíduos com 65 anos ou mais.

– Etnia: negros têm propensão maior à doença, segundo estudos.

– Obesidade: quanto maior o peso, maior o risco.

– Sedentarismo: a prática de exercícios regulares tem papel protetor.

– Má alimentação: baixo consumo de frutas, verduras e legumes e excesso de comida industrializada podem comprometer a saúde das artérias.

O último ano e meio da pandemia da COVID-19 foi desafiador para os pacientes e profissionais da saúde.

As ações de lockdown e medidas restritivas aumentaram a ansiedade, reduziram as possibilidades de autocuidado da população, com maior sedentarismo, pior alimentação, agravamento na utilização de álcool e drogas.

Com a pandemia de COVID-19, muitas pessoas estão descuidando da saúde por medo de se deslocar até o médico, deixando passar despercebidos sintomas importantes que iriam indicar a presença de hipertensão.

Não se esqueçam da possibilidade de fazer uma teleconsulta com seu clínico, geriatra ou cardiologista, caso prefira não sair de casa.

A pressão alta não tem cura, mas tem tratamento e pode ser controlada. Somente o médico poderá determinar o melhor método para cada paciente, pois além dos medicamentos disponíveis atualmente, é imprescindível adotar um estilo de vida saudável.

A abordagem quase sempre se inicia com medidas não farmacológicas, como prática de atividade física, redução do sal, controle do peso, melhora do sono e gerenciamento do estresse.

Mas quando a pressão está muito alta no momento do diagnóstico ou o paciente já apresenta outros fatores de risco cardiovascular, o tratamento medicamentoso é indicado logo, junto com as mudanças no estilo de vida.

Existem diferentes agentes anti-hipertensivos, com mecanismos de ação distintos. Durante a avaliação de um paciente hipertenso, alguns dados da anamnese e do exame físico servem como indício de causas secundárias que podem estar presentes.

Os principais indícios de hipertensão secundária são início antes dos 30 anos ou após os 50 anos, apnéia do sono, HAS refratária ao uso do medicamento, perda de proteína na urina, assimetria pulso femoral, sopros abdominais, doença renal e hipertireoidismo.

A HAS é, e continuará sendo, uma doença altamente prevalente e com alto impacto negativo social. A identificação precoce dos hipertensos e o tratamento eficaz são de grande importância clínica nos planos individual e populacional. Uso de aparelhos calibrados, técnica precisa e identificação de causas possivelmente reversíveis são parte fundamental no manejo clínico desses pacientes.

Gustavo Safe é diretor e médico especialista em endometriose no Centro Avançado em Endometriose e preservação da fertilidade, Clínica Ovular fertilidade e menopausa e Instituto Safe. Estudioso dos assuntos relacionados à saúde da mulher com enfoque na dor pélvica, infertilidade, preservação da fertilidade, endometriose, endoscopia ginecológica e cirurgias minimamente invasivas.

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Prevenção da caramelização do cérebro pelo controle de insulina e glicose

Prevenção da caramelização do cérebro pelo controle de insulina e glicose

(foto: pexels)

No cérebro, aumento ou resistência à insulina têm sido chamados de diabetes cerebral ou diabetes tipo 3, capaz de provocar danos cerebrais e demência

A insulina tem diversas funções no organismo, inclusive no cérebro, onde o seu aumento ou a sua resistência têm sido chamados de diabetes cerebral ou diabetes tipo 3, capaz de provocar danos cerebrais e demência.

Os possíveis mecanismos através dos quais estes riscos são maiores incluem os efeitos da hiperinsulinemia periférica na memória, inflamação do SNC, e regulação do peptídeo beta-amilóide.

A insulina, que nos tecidos muscular e adiposo ajuda as células a armazenar carboidratos e gorduras, no cérebro, age como regulador do metabolismo da glicose, influenciando diretamente na neurotransmissão, na aprendizagem, na memória e na neuroproteção.

A insulina é o hormônio secretado pelo pâncreas, com importante função no metabolismo dos carboidratos, ou seja, no controle da glicose (taxa de açúcar) no sangue.

Comemoramos 100 anos da descoberta da insulina em 1921 por Frederick Banting e Charles Best, no laboratório do professor de fisiologia John J. R. MacLeod, durante experimentos que tinham como objetivo o isolamento da secreção interna do pâncreas.

A insulina tem fama de ser uma grande vilã do ganho de peso porque o hormônio promove o estoque de gordura corporal, especialmente na região abdominal, uma vez que ela reduz a produção de glicose pelo fígado e aumenta a captação desse hormônio nos tecidos adiposo e muscular.

Os valores de referência de insulina dependem do cálculo do IMC (Índice de Massa Corporal), que avalia o peso em relação à altura do indivíduo.

Os picos de insulina nada mais são do que um aumento na liberação da insulina, na tentativa do organismo de tentar baixar o alto índice glicêmico na corrente sanguínea. Com o passar do tempo, o pâncreas, responsável pela produção do hormônio, acaba entrando em exaustão.

Em outros casos, o organismo desenvolve uma resistência insulínica, e não usa mais o hormônio da forma como deveria, fazendo com que o açúcar no sangue continue alto, mesmo depois de algum tempo que o alimento foi consumido.

Por analogia, consideramos a insulina como se fosse uma ‘chave’ que se liga à ‘fechadura’ existente nas membranas das células, os receptores celulares de insulina, fazendo com que sejam abertas passagens para a entrada da glicose nas mesmas.

Diante de elevados índices de glicose no sangue, podemos precisar de várias chaves (insulina) para abrir uma fechadura devido a uma resistência à insulina.

Se existir uma dificuldade em aumentar a produção, teremos um aumento da glicose no sangue (diabetes) além de outros problemas para a mulher.

A diabetes é uma doença cada dia mais comum entre a população mundial. Segundo dados da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), ela já afeta mais de 12 milhões de brasileiros com uma porcentagem grande deles sem o diagnóstico.

Além do diabetes, é possível que a pessoa também desenvolva hipertensão, dislipidemias (níveis altos de colesterol e triglicerídeos no sangue), esteatosis hepática (acúmulo de gordura no fígado), síndrome do ovário policístico, obesidade, alguns tipos de câncer (como o câncer de próstata), doenças cardiovasculares e respiratórias.

Nos dias de hoje, a genética é um fator muito importante a ser considerado no aparecimento das doenças, mas a epigenética também tem desempenhado papel importante.

Epigenética é a área da biologia que estuda mudanças no fenótipo que não são causadas por alterações na sequência de DNA que se perpetuam nas divisões celulares, meióticas e mitóticas. É denominado um caráter epigenético quando o fenótipo é alterado por tais mudanças.

O nosso comportamento, o ambiente em que vivemos e nossos hábitos representam estas mudanças e podem nos proteger do aparecimento de doenças.

A resistência à insulina está relacionada ao aumento principalmente da gordura visceral. Este excesso de gordura, por sua vez, está associado a prejuízos nas ações da insulina, pois a gordura corporal produz substâncias que conseguem influenciar negativamente a transmissão do sinal da insulina, que provoca um aumento da insulina, gerando um ciclo vicioso.

O que fazer para manter o nível adequado de insulina no organismo?

Manter-se ativo fisicamente, evitando sempre o sobrepeso e obesidade, pode levar à diminuição e controle da resistência à insulina.

A atividade física aeróbica permite a passagem da glicose para dentro da célula sem que a insulina seja necessária, economizando insulina.

Além da prática regular de atividades físicas, uma alimentação adequada, sem excesso de carboidratos e gorduras, são as principais estratégias para evitar desequilíbrios nos valores da insulina.

O consumo em excesso de alimentos, principalmente carboidratos de alto índice glicêmico, como doces e produtos feitos com farinhas refinadas, geram uma super estimulação do pâncreas, que libera quantidades enormes de insulina em resposta à rápida entrada de açúcar no sangue.

Esse processo é conhecido como pico de insulina. Este pico depende do índice glicêmico de cada alimento que variam desde doces, pães e massas, até legumes e frutas.

Quando o alimento tem índice glicêmico igual ou maior de 70, deve ser consumido em pequenas quantidades e em eventos esporádicos, razão pela qual acaba sendo proibido para pacientes diabéticos.

Como exemplo de alimentos com elevado índice glicêmico, em porções de 100g temos o, mel (104), milho (98), barras de cereais em geral (94), cuscuz (93), beterraba (88), bolacha de arroz (87), banana (83), grãos de soja (83), cereal de milho (81), manga (80), pipoca (79), batata (78), bebidas isotônicas (78), melancia (76), pão branco (75), abóbora (75), suco de laranja (74), bolacha de sal (74), arroz branco (73) e a batata-doce média (70).

Estes picos de insulina frequentes podem resultar em uma condição chamada de resistência insulínica, que pode causar uma vasoconstrição. Essa vasoconstrição ocorre quando os vasos sanguíneos se contraem, a fim de evitar a perda de calor em excesso, o que retarda a atividade metabólica do organismo.

Além de causar o pico de insulina no organismo, esses alimentos proporcionam uma sensação de saciedade curta, fazendo com que você sinta fome mais rápido.

A alimentação é um dos principais fatores que influenciam os níveis de açúcar no sangue. Em outras palavras, quanto mais alimentos ricos em açúcares e carboidratos consumirmos, mais recorrentes serão os episódios de pico de insulina.

Como resultado, o cérebro entende que você precisa alimentar-se novamente porque está sem energia, fazendo com que você sinta fome, após meia hora da sua última refeição.

Além disso, é importante evitar dieta com excesso de sódio (sal), não fumar, não fazer uso excessivo de álcool e ter um sono reparador.

Adultos com hiperglicemia crônica (hemoglobina glicada mais alta) apresentam um maior risco de demência vascular e também de demência não vascular, como doença de Alzheimer.

Caracteriza-se demência como um decréscimo cognitivo comparado à cognição prévia do indivíduo. É uma degeneração crônica e, geralmente, irreversível.

Os principais sintomas das demências são perda de memória, dificuldade de localização temporal e espacial, dificuldade de atenção e concentração e distúrbios neuropsíquicos, como depressão, agitação e agressividade. Os tipos de demência mais associados à diabetes mellitus são doença de Alzheimer e demência vascular.

Vários autores, como Crane et al., Grodstein et al., Mayeda et al., Biessels et al., Hamed et al., Pereira et al., Matioli et al., através de várias publicações mostraram que os níveis glicêmicos, a idade acima de 65 anos, o pré diabetes e o diabetes tipo 2 e a neuroinflamação têm uma relação direta com o surgimento de demências.

Recentemente, viu-se crescer a menção do termo “diabetes tipo 3″ou “diabetes cerebral”, uma vez que foi constatado que cérebros de pacientes com Alzheimer têm menor expressão de insulina e receptores neuronais de insulina, comparados a indivíduos da mesma idade e sem diabetes.

A doença de Alzheimer foi descrita em 1906 por um psiquiatra alemão com o sobrenome Alzheimer, que dá o nome da doença. É infelizmente uma doença degenerativa e sem cura até o momento.

Sua principal característica é a perda de memória e atenção, além da perda de outras funções cognitivas, como comunicação verbal e escrita e a orientação.

A Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAZ), estima que no Brasil há cerca de 1,2 milhões de pessoas vivendo com a doença, mas muitas delas ainda sem o diagnóstico.

Uma das coisas que protegem, seria a alimentação. Para isso eles propõem a dieta mediterrânea como solução.

O que acontece no cérebro de uma pessoa com Alzheimer?

O cérebro de um paciente com Alzheimer tem proteínas chamadas beta-amilóides acumuladas, que juntas formam placas. Com o passar do tempo, pequenas estruturas vão se descolar dessas placas. Essas pequenas estruturas atacam e intoxicam os neurônios, que perdem sua capacidade de sinapse, ou seja, sua capacidade de se comunicar e, como sintoma principal, a tão temida perda de memória.

O que os pesquisadores concluíram é que o Alzheimer faz com que o cérebro também fique resistente à insulina e, assim, o órgão tem dificuldade de absorver a glicose.

O cérebro é um órgão formado principalmente por tecido nervoso: células da glia e neurônios. O tecido nervoso utiliza basicamente como substrato energético a glicose, uma falha na captação desse carboidrato provoca alterações na função dos neurônios.

Acreditava-se que o cérebro, juntamente com as hemácias, a mucosa intestinal e os túbulos renais, não necessitava da insulina para absorver a glicose.

No entanto, estudos na década de 2000 demonstraram a necessidade da insulina no cérebro para que o mesmo absorva adequadamente a glicose e a utilize como proteção das sinapses neurais.

A glicose atravessa a barreira hematoencefálica por difusão facilitada, através de transportadores chamados de Proteínas Transportadoras de Glicose (GLUTs).

Tais transportadores, ao contrário do que se pensava antes, são sensíveis à insulina e seu funcionamento depende diretamente da ação insulínica.

A glicose tem outros efeitos sobre as funções do sistema nervoso, como a modulação do ciclo de apetite e saciedade, função reprodutiva, liberação de neurotransmissores, plasticidade sináptica e sobrevivência neuronal.

Isso contribui para disfunção cognitiva, redução da memória, aumento da atividade inflamatória no sistema nervoso central, ruptura do eixo adrenal hipotálamo-hipófise e, através da formação de placas senis, favorece o desenvolvimento da doença de Alzheimer (DA).

Já se relata a existência de um mecanismo de proteção natural que protege as sinapses contra a deterioração causada pelos ADDLs, e tem como principal responsável a insulina, que causa uma redução acentuada da ligação de ADDLs patogênicos nos receptores de insulina.

Diante dessas descobertas e da relação direta entre a resistência insulínica e a DA, alguns trabalhos apontam para a existência de um novo tipo de diabetes.

A diabetes tipo 3 é um termo recente que pesquisadores no mundo todo estão usando para se referir a resistência à insulina no cérebro.

Esse assunto é muito novo, sendo assim é importante dizer que ainda não é oficialmente reconhecido na comunidade médica.

O açúcar gera um processo chamado glicação (processo que une uma molécula de glicose com uma de proteína) e inflamação e que seria capaz de despertar o Alzheimer em pessoas predispostas geneticamente.

As clássicas complicações do diabetes, como as neuropatias periféricas ou as retinopatias, podem estar relacionadas.

Manter os exames de sangue em dia, fazer consultas periódicas e buscar tratamento em caso de sintomas, sejam eles metabólicos, hormonais e neurológicos, é sempre um passo fundamental na prevenção e controle de diversas doenças.

Uma dessas medidas é o monitoramento glicêmico, o qual pode ser feito pela glicemia de jejum em laboratório e pela glicemia capilar em casa. Porém, a forma mais fidedigna de acompanhamento, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), é a hemoglobina glicada, que mostra os valores glicêmicos dos últimos 100 dias, em média.

A SBD define as seguintes metas glicêmicas para adultos com diabetes mellitus:

Pré-prandial: < 100 mg/dL, pós-prandial: < 160 mg/dL e hemoglobina glicada: < 7,0%

O tratamento preconizado envolve mudanças no estilo de vida, como dieta balanceada com restrição de açúcar e redução de carboidratos, consumo de gorduras, como ômega 3, e prática regular de atividade física, pelo menos 150 minutos por semana (50 minutos de atividade 3 vezes por semana).

Existem medicamentos que impulsionam e aceleram o tratamento da resistência à insulina. Seu uso deve ser recomendado e acompanhado pelo médico sempre.

O tratamento medicamentoso de demências tem poucas opções e se mantém ineficaz. As principais opções terapêuticas são os inibidores de colinesterase e antagonista de memantina.

Novas estratégias terapêuticas surgem na literatura científica e na indústria farmacêutica, como os medicamentos à base de cannabis que, apesar de terem efeitos animadores e serem permitidos pela ANVISA, ainda são pouco prescritos e pouco acessíveis no Brasil.

Gustavo Safe é diretor e médico especialista em endometriose no Centro Avançado em Endometriose e preservação da fertilidade, Clínica Ovular fertilidade e menopausa e Instituto Safe. Estudioso dos assuntos relacionados à saúde da mulher com enfoque na dor pélvica, infertilidade, preservação da fertilidade, endometriose, endoscopia ginecológica e cirurgias minimamente invasivas.

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Medicação de tarja preta e a ansiedade da mulher no Brasil de hoje

Medicação de tarja preta e a ansiedade da mulher no Brasil de hoje

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Mulher moderna tem de provar que pode ter independência financeira, carreira bem sucedida e família equilibrada, além de estar sempre bonita, alegre e animada

Anvisa ampliou quantidade máxima de medicamentos permitida em uma única receita de tarja preta dos atuais 2 meses de tratamento para até 6 meses

Evitar estresse e ansiedade no Brasil de 2021 está cada vez mais difícil. Pandemia e instabilidade política e econômica têm colocado nervos a toda prova

A Mulher-Maravilha foi criada em 1941, pela DC Comics, como uma personagem nascida na ilha de Temiscira, abençoada por todos os deuses do Olimpo de onde vieram seus poderes: Bela como Afrodite, sabia como Atena, forte como Hércules, e rápida como Hermes. 

Neste mesmo período as mulheres começaram uma revolução silenciosa e discreta com o surgimento da pílula anticoncepcional em 1960 que levou a um maior controle da taxa de natalidade, permitindo que se tornassem economicamente mais ativas.

Esta demanda imposta pelas próprias mulheres de ser uma mulher maravilha nos dias de hoje tem gerado cada vez mais transtornos como a depressão, a distimia, a síndrome do pânico, o transtorno de ansiedade generalizada, a fadiga crônica, o transtorno disfórico pré menstrual, a depressão pós parto e o transtorno bipolar.

Ansiedade é um mecanismo do nosso cérebro para nos alertar em situações adversas e desconhecidas. Este mecanismo nos deixa alertas e também desencadeia uma “descarga de adrenalina” para enfrentar situações inesperadas.

Porém, a ansiedade em excesso pode ter efeito contrário e, simplesmente, paralisar uma pessoa. 

Quando a ansiedade começa a prejudicar o dia a dia causando transtornos físicos e psicológicos, atrapalhando você de efetuar uma tarefa rotineira, cancelando compromissos e gerando angústia ela passa a ser patológica.

Muitas angústias e tristezas são inerentes ao simples fato de estarmos vivendo, convivendo e sobrevivendo. Não conseguimos eliminar esses sentimentos com um passe de mágica.

No mundo de hoje as pessoas têm procurado maneiras de compensar a dificuldade de ter os padrões pessoais, familiares e profissionais sonhados através do acesso a bens de consumo impostos pela sociedade capitalista. 

Me lembro bem no início da minha vida profissional há 24 anos de ser apresentado a uma doutrina chamada hedonismo. 

O hedonismo é uma doutrina, ou filosofia de vida, que defende a busca por prazer como finalidade da vida humana. Buscar prazer é o que move as paixões, os desejos e todo o mecanismo da vida, sendo, portanto, na visão dos hedonistas, a primeira e mais completa ponte para a finalidade última da vida: a felicidade através do ser e não ter!

As pessoas atualmente querem tudo na hora e de forma fácil, e vivem uma cultura na qual deve-se buscar a felicidade a qualquer preço, mas com um custo elevado às vezes.

Os jovens de hoje estão passando por isso por não conseguirem atender aos padrões exigidos em decorrência da extrema competitividade, da falta de acesso ao mundo real e muitas vezes por uma superproteção dos pais. O resultado é uma sensação de insuficiência e incapacidade, ansiedade e baixa autoestima que são a base para o desenvolvimento dos transtornos de ansiedade e depressão.

Segundo a OMS, no Brasil, 11,5 milhões de pessoas sofrem com depressão e até 2030 essa será a doença mais comum no país.

Já pararam para se perguntar porque esses transtornos acontecem com as mulheres de uma forma muito mais importante que com os homens?

Enquanto o organismo masculino produz um único hormônio sexual, a testosterona, as mulheres enfrentam uma bipolaridade hormonal. Durante os primeiros 14 dias do ciclo menstrual temos o estrógeno, enquanto que nos últimos 14 dias temos a predominância da progesterona.

O estrógeno faz com que as mulheres fiquem mais alegres e ativas. Entretanto, quando a produção desse hormônio diminui, elas se sentem mais cansadas, nervosas, preocupadas, tristes e irritadas como na pós menopausa.

Consequentemente, essa alteração hormonal é um dos fatores que contribuem para que o sexo feminino tenha uma maior predisposição à depressão e a outros transtornos depressivos. 

Estudos apontam que o risco de depressão é entre 10% e 25% para mulheres e 5% a 12% para os homens. Uma soma de fatores sociais e também biológicos explica esses números como as questões hormonais e a dupla jornada de trabalho para conciliar carreira e tarefas domésticas.

Burnout é um transtorno psíquico de caráter depressivo, com sintomas parecidos com os do estresse, da ansiedade e da síndrome do pânico, mas no qual o especialista percebe a associação com a vida profissional da pessoa. 

A síndrome, que foi incluída na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2019, em uma lista que entrará em vigor em 2022, se não tratada pode evoluir para doenças físicas, como doença coronariana, hipertensão, problemas gastrointestinais, depressão profunda e alcoolismo. 

Estatísticas mostram que estresse e esgotamento profissional estão afetando mais mulheres que homens e, particularmente, mais as mães que trabalham fora de casa do que pais que fazem o mesmo. 

No meu dia a dia percebo mulheres do lar também esgotadas pelo marido, pelas tarefas da casa e pelas demandas da família.

Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que analisou o impacto da pandemia e do isolamento social na saúde mental de trabalhadores essenciais, mostrou que sintomas de ansiedade e depressão afetam 47,3% desses trabalhadores durante a pandemia, no Brasil. 

Nesse sentido, a classe de profissionais de saúde é uma das mais gravemente afetadas pela síndrome de burnout, demandando maiores cuidados e intervenções.

Além disso, 44,3% têm abusado de bebidas alcoólicas; 42,9% sofreram mudanças nos hábitos de sono; e 30,9% foram diagnosticados ou tratados de doenças mentais no ano anterior.

Dados recentes sobre o burnout em mulheres são preocupantes. 

Segundo uma pesquisa feita pela plataforma LinkedIn, com quase 5 mil americanos, 74% das mulheres disseram que estavam muito ou razoavelmente estressadas por motivos ligados ao trabalho, em comparação com apenas 61% dos empregados do sexo masculino.

É uma síndrome que precisa ser precocemente reconhecida e tratada, visto que pode levar a graves comorbidades decorrentes do excesso de trabalho e responsabilidades.

A telemedicina facilitou o acesso a psicólogos e médicos embora dados mostrem que só uma parte da população recebeu tratamento necessário.

Em geral, pesquisas ligam baixas rendas a altos níveis de estresse e a uma saúde mental ruim. 

Saúde Mental é muito mais que a ausência de doenças mentais. É, na verdade, um estado de bem estar em que o indivíduo consegue ser produtivo, realizar as suas habilidades e se recuperar do estresse causado pela rotina. 

Todos nós estamos sujeitos a condições de estresse: para crescer, para comer, até para dormir. O importante para a manutenção da saúde mental é que a gente seja capaz de se recuperar desse estresse e participar da vida em comunidade, ser produtivo e participativo das atividades sociais.

Em 2020, a Anvisa, agência reguladora vinculada ao Ministério, publicou uma resolução mais do que controversa por contrariar o bom senso. Ela ampliou a quantidade máxima de medicamentos permitida em uma única receita de tarja preta dos atuais 2 meses de tratamento para até 6 meses. 

Um convite ao uso abusivo? Na verdade foi um esforço para evitar que as pessoas saíssem de casa durante a pandemia!

Os ansiolíticos são vendidos com receitas especiais, emitidas por profissionais preparados e autorizados, porque podem causar dependência física e mental. O diagnóstico deve ser bem-feito e o tratamento deve ser seguido corretamente para evitar que o quadro do transtorno piore. 

Percebo ao longo dos meus quase 24 anos de formado o aumento do uso de benzodiazepínicos pelas mulheres. Antigamente muito comum acima de 50 anos e atualmente muitas usando antes dos 30 anos.

Os benzodiazepínicos constituem o grupo de psicotrópicos mais comumente utilizados na prática clínica devido às suas quatro atividades principais: ansiolítica, hipnótica, anticonvulsivante e relaxante muscular.

Seus efeitos colaterais podem ser problemas de memória, tontura, diminuição de atividade psicomotora e dificuldade de concentração.

Os principais medicamentos são o alprazolam, bromazepam, clonazepam, diazepam, lorazepam, flunitrazepam, midazolam e zolpidem.

A venda de antidepressivos e estabilizadores de humor tiveram um aumento expressivo durante o ano passado. 

Um levantamento feito pelo Conselho Federal de Farmácias mostrou que quase 100 milhões de caixas de medicamentos controlados foram vendidos em todo o ano de 2020 – um salto de 17% (mais de 96 milhões de doses) na comparação com os 12 meses anteriores.

Especialistas afirmam que o aumento no uso ou a dependência de medicamentos para o controle da ansiedade também podem estar ligados ao desenvolvimento socioeconômico de cada região do país. 

Nos últimos anos, observou-se um grande avanço no tratamento farmacológico de transtornos da ansiedade (TAG). Recentemente, o tratamento mudou de benzodiazepínicos para antidepressivos, como a venlafaxina, pois os sintomas depressivos que às vezes acompanham o transtorno de ansiedade generalizada podem não responder bem aos benzodiazepínicos, além deles apresentarem risco de abuso, dependência e problemas associados, como efeitos de abstinência. 

Em pacientes com TAG sem sintomas depressivos, um ansiolítico não benzodiazepínico eficaz é uma alternativa terapêutica importante. Neste sentido, a pregabalina, um análogo estrutural do ácido γ-aminobutírico (GABA), foi desenvolvida como um ansiolítico com base em seu perfil de atividade farmacológica. 

A pregabalina é um remédio que atua no sistema nervoso, regulando as atividades das células nervosas, sendo indicado para o tratamento da epilepsia e dor neuropática, causada pelo mau funcionamento dos nervos. Além disso, também é usada no tratamento do transtorno de ansiedade generalizada e no controle da dor causada pela fibromialgia em adultos.

A pregabalina se mostrou uma opção terapêutica segura e eficaz

O ponto inicial de tudo é a aceitação. Por isso a terapia é fundamental. Os remédios ajudam, mas quem realmente tira da crise é a terapia e o autoconhecimento.

Um dos grandes mitos relacionados à depressão é a crença de que seria uma condição rara e pouco recorrente, mas a chance é grande de alguém próximo de você estar deprimido e ansioso. 

Outro grande mito associado é que pessoas bem-sucedidas não sofrem com ela. É possível conquistar muito na vida e ainda assim ter depressão. 

A depressão é mais do que tristeza: pode surgir sem aviso ou lógica, em pessoas que não têm razões aparentes para estarem doentes. Portanto, a “falta de motivo” ou a ausência de sintomas clássicos não são motivos para descartar um possível quadro depressivo, nem razão para não procurar ajuda.

Estabelecer metas de vida realistas, garantir momentos de lazer e relação com amigos e família, manter uma jornada de trabalho mais adequada, preocupar-se mais em “ser” que em “ter” além de buscar o equilíbrio pode ajudar a diminuir o uso de medicamentos tarja preta.

Gustavo Safe é diretor e médico especialista em endometriose no Centro Avançado em Endometriose e preservação da fertilidade, Clínica Ovular fertilidade e menopausa e Instituto Safe. Estudioso dos assuntos relacionados à saúde da mulher com enfoque na dor pélvica, infertilidade, preservação da fertilidade, endometriose, endoscopia ginecológica e cirurgias minimamente invasivas.

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