Câncer de mama x COVID-19 x consumo de álcool

Câncer de mama x COVID-19 x consumo de álcool

O Outubro Rosa tem um desafio maior com o recorde de casos registrados de câncer de mama, a diminuição das consultas médicas e o aumento do consumo de álcool

A campanha de prevenção do câncer de mama (Outubro Rosa), que existe desde 1990, precisará mais do que nunca de nós médicos, profissionais de saúde e formadores de opinião para ajudar no diagnóstico precoce e na prevenção.

Levantamento divulgado pela Global Cancer Observatory revela que, no último ano, o câncer de mama foi responsável por 11,7% dos cânceres em todo o mundo, com 2,26 milhões de casos registrados, sendo a doença oncológica mais diagnosticada em 2020, superando o câncer de pulmão, que acomete homens e mulheres, diferente do câncer de mama, que acomete 99% de mulheres.

Uma pesquisa realizada pela IPEC, encomendada pela Pfizer, mostrou que 47% das mulheres entrevistadas deixaram de frequentar o ginecologista ou o mastologista durante a pandemia de COVID-19.

No Brasil, deverão ser mais de 65mil casos por ano até 2022, de acordo com o INCA, sendo que 30% deverão ter metástase, mesmo com o diagnóstico precoce.

Cerca de 30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com mudanças nos hábitos de vida, como realização de atividade física regular, manutenção do peso ideal, alimentação saudável e diminuição do consumo de álcool.

O consumo de álcool em qualquer quantidade contribui para o câncer de mama, principalmente se associado ao tabagismo.

Os brasileiros estão bebendo mais e fumando menos, segundo um levantamento do IBGE, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), com dados relativos a 2019.

Mais de um quarto (26,4%) da população adulta costuma consumir bebida alcoólica uma vez ou mais por semana, um aumento de 2,5% em relação a 2013, o último ano do levantamento.

Já a população de mulheres que bebem álcool cresceu 4,1% em seis anos, enquanto o percentual dos homens ficou praticamente estável.

Ainda assim, os homens continuam bebendo mais do que as mulheres (37,1% contra 17%).

Dados mais recentes em relação à pandemia do COVID-19 mostrou que 18% dos brasileiros estão bebendo mais, segundo uma pesquisa realizada pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), em parceria com a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que coletou informações de quase 45 mil participantes.

Um segundo estudo, desta vez liderado pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), confirmou o maior consumo de bebida em meio ao isolamento social com 61% relatando o consumo de álcool e 30% bebendo mais nesse período de pandemia, segundo os 3.633 entrevistados.

Nas duas pesquisas mencionadas, a justificativa para incluir bebida na rotina foi a necessidade de amenizar a tristeza, o medo, a ansiedade, o estresse e a depressão desencadeados pelo isolamento social e pela incerteza sobre o futuro.

Brasileiros com grau de instrução fundamental, estão bebendo mais que os brasileiros com graduação no ensino médio e com nível superior (21,5%, 20,4% e 18,6%, respectivamente).

Há muito tempo faz parte do senso comum a crença de que o consumo de doses baixas de álcool traz benefícios à saúde, em especial ao coração, se tomar uma taça de vinho tinto por dia, por exemplo.

Se você é do tipo que sempre prioriza o lado saudável de tudo o que consome, então nenhuma surpresa: o vinho continua sendo o campeão neste quesito.

Ele é o fermentado mais rico em polifenóis, destaque para o resveratrol, pelos seus benefícios em numerosos processos fisiológicos ativos com poderosos efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e anti carcinogênicos como, por exemplo, para o câncer de mama.

Vale saber que o que determina a quantidade desses polifenóis em um vinho é a forma como ele é feito. Na uva, esses poderosos ativos estão presentes na casca, na semente e no engaço (cabinho).

Para isso é necessário uma preparação tradicional que mantém o contato do vinho com a casca da uva, explicando porque os tintos possuem mais antioxidantes que os brancos e espumantes, que são preparados com a polpa e separados da casca.

Só para você ter uma ideia, o vinho tinto tem dez vezes mais polifenóis que o vinho branco, sendo a maior concentração de polifenóis das uvas cabernet sauvignon, malbec e syrah.

A revista científica “The Lancet” publicou um estudo que teve enorme repercussão na mídia. O trabalho em questão avaliava até que ponto o consumo de álcool em níveis moderados pode servir como proteção para algumas condições de saúde.

A definição de consumo moderado de álcool pode variar de um país para outro e deve considerar características individuais.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) não existe um padrão de consumo de álcool que seja absolutamente seguro.

Os impactos do uso nocivo dessa substância levaram vários governos a adotar diretrizes que definem o que seria um consumo moderado ou de baixo risco para desenvolver problemas de saúde.

A OMS define como dose padrão 10g de etanol puro, e recomenda que homens e mulheres não excedam duas doses por dia e que se abstenham de beber pelo menos dois dias por semana.

Já a renomada instituição NIAAA – National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism – estabelece como dose padrão 14g de etanol puro e orienta as mulheres a limitarem seu consumo a uma dose por dia e, os homens, a até duas doses por dia.

No entanto, o relatório de pesquisadores ingleses publicado na “The Lancet” aponta para outra conclusão: a de que “os pequenos benefícios adquiridos com o consumo baixo e moderado de bebidas alcoólicas são superados pelo risco aumentado de outros danos relacionados à saúde, incluindo o câncer”.

No entanto, é impossível concluir se esses resultados se devem ao consumo de bebidas alcoólicas ou a outras variáveis, como por exemplo diferenças de comportamento ou genética entre pessoas que bebem moderadamente e pessoas que não bebem.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), assim como o Centers of Disease Control and Prevention (CDC), entidade vinculada ao governo norte-americano e a Health Promotion Agency, entidade neozelandesa, mantém a mesma posição do estudo afirmando que, embora estudos anteriores tenham indicado que o consumo moderado de álcool traz benefícios protetores à saúde (por exemplo, redução do risco de doença cardíaca), estudos recentes mostram que isso pode não ser verdade.

Segundo o estudo, consumir apenas uma dose de bebida alcoólica por dia aumentou o risco de desenvolver problemas de saúde relacionados ao álcool em 0,5% em relação à abstenção, enquanto beber cinco doses por dia levou a um aumento de 37% no risco.

Quem insiste no consumo diário de bebida alcoólica deve ter cuidado redobrado, uma vez que beber frequentemente (mais do que seis dias por mês) pode deixar muita gente tolerante ao álcool.

Num primeiro momento, sabe-se que uma taça de vinho ou um copo de cerveja pode promover relaxamento, mas ao exagerar as pessoas se tornam mais vulneráveis ao efeito rebote, com níveis até mais acentuados de tristeza ou depressão.

Vale dizer que uma única dose pode ser o suficiente para provocar alterações físicas e mentais em quem bebe, como alerta a OMS para os seguintes problemas:

  • Dependência
  • Baixa imunológica com aumento do risco de infecções bacterianas e virais
  • Diminuição dos reflexos (por isso a combinação álcool e volante é desastrosa)
  • Desencadeia transtornos psicológicos
  • Contribui para episódios de violência física (doméstica)
  • Piora a qualidade do sono
  • Reduz a fertilidade
  • Pior controle da hipertensão arterial
  • Pode provocar cirrose, câncer, hepatites

Mas, como é praticamente impossível acabar com a ingestão de álcool no mundo, principalmente em momentos de incerteza como este que estamos vivendo na pandemia da COVID-19, estipularam o que seria uma dose de baixo risco.

A partir de referências científicas e consultas a sites especializados em diferentes tipos de bebida, e levando em conta os volumes e teores alcoólicos mais praticados no Brasil, o CISA considera que uma dose padrão corresponde a 14g de etanol puro no contexto brasileiro.

– 1 dose de bebida (14 gramas de álcool puro) corresponde a 350ml de cerveja (5% álcool), 150ml de vinho (12% álcool) ou 45ml de destilado (40% de álcool)

– 1 lata de cerveja 17 gramas, 1 copo de chope 10 gramas, 1 taça de vinho 10 gramas, 1 dose de destilado 25 gramas

O organismo demora cerca de uma hora e meia a duas horas para eliminar o efeito dos 30 gramas de álcool. Seria um pouco mais seguro se o indivíduo conseguisse demorar esse tempo entre uma dose e outra, principalmente se pretende dirigir.

Por que o efeito do álcool é pior em mulheres e tem provocado mais complicações?

No Brasil, mulheres, jovens e idosos estão bebendo mais. Estes grupos são os mais vulneráveis aos efeitos do álcool.

Segundo o DATASUS, houve uma diminuição per capita em 11% entre 2010 e 2016 no Brasil no consumo de álcool.

Em contrapartida, temos mais internações de mulheres, idosos e adolescentes neste período.

As internações de homens caíram e a de mulheres aumentaram, inclusive em relação aos óbitos – 4% contra 15%.

Mudança no estilo de vida, aumento do poder aquisitivo e a dupla jornada de trabalho podem explicar estas estatísticas.

A igualdade de gênero é uma coisa positiva, mas temos diferenças fisiológicas entre o homem e a mulher.

A mulher tem uma menor área corpórea, menor quantidade de água no organismo e menos enzimas, deixando o álcool mais tempo na corrente sanguínea e demorando mais para ser metabolizado.

A OMS publicou uma lista de recomendações para que as pessoas lidem melhor com o consumo de álcool durante a pandemia.

  • Evite o consumo de bebida alcoólica ou diminua a quantidade e a frequência
  • Procure não estocar bebidas em casa. Dificultar o acesso ajuda a diminuir o consumo
  • Não é indicado beber para aliviar medo, ansiedade e estresse
  • Não misture álcool com medicamentos
  • Em vez de beber para passar o tempo, opte por praticar exercícios físicos
  • Converse com as crianças e os adolescentes sobre os prejuízos do álcool
  • Procure ajuda se perceber que seu consumo, ou de algum amigo ou familiar, saiu do controle

É importante que as mulheres retomem suas vidas e consultas médicas neste momento em que caminhamos para um novo normal, que vai exigir, mais do que nunca, resiliência (capacidade de se adaptar) e equilíbrio físico e mental.

Gustavo Safe é diretor e médico especialista em endometriose no Centro Avançado em Endometriose e preservação da fertilidade, Clínica Ovular fertilidade e menopausa e Instituto Safe. Estudioso dos assuntos relacionados à saúde da mulher com enfoque na dor pélvica, infertilidade, preservação da fertilidade, endometriose, endoscopia ginecológica e cirurgias minimamente invasivas.

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Dieta Detox e antiglicante no combate ao envelhecimento

Dieta Detox e antiglicante no combate ao envelhecimento

Quando fazemos uma dieta detox, optamos por uma restritiva de açúcar, frituras e gorduras saturadas para limpar as toxinas e restabelecer o equilíbrio natural

Há três tipos de envelhecimento: o biológico, o social e o psicológico

Uma alimentação equilibrada com proporções adequadas (40% carboidrato, 30% proteínas e 30% gordura) com alimentos saudáveis, como verduras, legumes e frutas, beneficia bastante a saúde da pele, assim como todo o organismo. 

O envelhecimento é um processo natural que ocorre durante toda a vida, provocando mudanças associadas à passagem do tempo, que pode variar de pessoa para pessoa, sendo determinado tanto por fatores internos quanto externos, como estilo de vida,  características do meio ambiente, as condições de saúde e a dieta de cada um. 

Os dermocosméticos com ação detox são responsáveis por estimular a renovação celular, remover as impurezas e deixar a pele mais limpa e iluminada, reduzindo os processos inflamatórios, devendo ter seu uso estimulado a partir dos 25 anos.

A Vitamina C é um poderoso antioxidante, ao reduzir danos causados pelos radicais livres decorrentes da exposição da pele à poluição, radiação UV e infravermelha. Você pode incluir este ativo em todas as fases de cuidados da pele, desde a higienização até a proteção solar.

Enquanto isso, a Vitamina E, presente em grãos e sementes oleaginosas, também pode impedir danos causados pelos radicais livres.

Os alimentos com antioxidantes que ajudam nestes processos, atuando da cabeça aos pés devem ter seu consumo estimulado!

São vários alimentos com tal ação, como o Açafrão ou cúrcuma, aveia, azeite de oliva, chá de cavalinha, centelha asiática, dente de leão, frutas cítricas, frutas vermelhas, linhaça, mamão, abacaxi, melão, óleo de gergelim, pepino, peixes, sálvia, semente de abóbora e suco de uva natural.

Glicação é quando açúcares “açúcar proteínas” (também se usa a expressão “caramelizam as proteínas“), alterando a sua estrutura e função. 

A glicação é o processo em que as moléculas de açúcares e carboidratos unem-se a uma proteína, formando os “produtos de glicação avançada” (AGEs, do inglês: Advanced glycation End-Products), fazendo com que ela não consiga mais desempenhar seu papel no organismo, perdendo sua função biológica e tornando-a tão prejudicial quanto os radicais livres.

A ligação de açúcares no colágeno e a dificuldade da pele em renová-lo acelera o envelhecimento. “Esta ação é tão agressiva, quanto a dos radicais livres, promovendo rugas, perda de elasticidade e de tonicidade”.

Na busca por um tratamento rejuvenescedor da pele, uma das apostas é a associação de produtos antiglicantes aos antioxidantes. 

Os antiglicantes são capazes de reverter esse processo e frear o envelhecimento, melhorando o aspecto visual do rosto e a saúde da pele. 

Os dermocosméticos antiglicantes atuam impedindo que essa união entre açúcar e proteína ocorra, minimizando o envelhecimento precoce, devolvendo a firmeza, a flexibilidade, prevenindo o aparecimento de rugas e revitalizando os contornos do rosto e da pele, conferindo uma aparência mais jovem.

Para baixar o índice de glicação é importante planejar a redução de consumo dos carboidratos refinados, como o pão branco, farinha de trigo, biscoitos, bolachas, macarrão e massas. Prefira também os carboidratos complexos (nozes, vegetais, feijão, arroz integral, aveia e milho); estes demoram muito mais para virar açúcar no sangue.

A fotoproteção é fundamental; para tal, use o FPS 50 ou 70 com capacidade de reduzir a oxidação, glicação e irritação da pele, de preferência resistente à água. É importante ter associado a vitamina C e o ácido hialurônico que hidrata e preenche as rugas.

Porém, quando nos referimos a uma dieta antiglicante, são poucos alimentos considerados verdadeiramente antiglicantes. 

Até mesmo em relação à canela, cujos efeitos no metabolismo glicídico são bastante citados, mas controversos.

Os compostos fenólicos (são abundantes em frutas, vegetais e alimentos derivados dos mesmos) parecem ser os melhores candidatos. 

Na prática, para um efeito antiglicante na dieta, devemos principalmente considerar a proporção entre carboidratos (C) e proteínas (P) da dieta (C/P).

Para não elevar a glicemia e não glicar, a dica segundo especialistas é manter a relação entre carboidratos/proteínas da dieta, igual ou menor do que 1,3. Em termos práticos, calculamos 40% de carboidratos, 30% de proteína e 30% de gordura em uma dieta. Isso é um aprendizado longo, que deve ser adquirido aos poucos.

Como a glicemia aumentada eleva a insulina, uma dieta antiglicante é, em última análise, uma dieta para controle da insulina. 

Como a insulina é pró-inflamatória, mantendo-a baixa, a dieta será também anti-inflamatória.

Gustavo Safe é diretor e médico especialista em endometriose no Centro Avançado em Endometriose e preservação da fertilidade, Clínica Ovular fertilidade e menopausa e Instituto Safe. Estudioso dos assuntos relacionados à saúde da mulher com enfoque na dor pélvica, infertilidade, preservação da fertilidade, endometriose, endoscopia ginecológica e cirurgias minimamente invasivas.

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Slow beauty e os produtos naturais e sustentáveis no combate à beleza fatal

Slow beauty e os produtos naturais e sustentáveis no combate à beleza fatal

A partir da década de 1990, começou a haver uma maior conscientização com uma busca por produtos mais seguros para o ser humano e para o planeta

Sustentabilidade pode ser definida como a capacidade do ser humano em interagir com o mundo, preservando o meio ambiente para não comprometer os recursos naturais das gerações futuras, integrando as questões sociais, energéticas, econômicas e ambientais.

Isso estimulou uma adequação da indústria e a produção de cosméticos segundo esses conceitos, os chamados cosméticos naturais, cosméticos orgânicos ou biocosméticos, através de um movimento (slow beauty), nascido nos Estados Unidos.

O Brasil ocupa a terceira posição em relação ao mercado mundial de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, perdendo apenas para Estados Unidos e Japão.

Interessante como só agora, como ginecologista, tenho visto no meu dia a dia do consultório a preocupação e divulgação pelos laboratórios de produtos de uso ginecológico sem parabeno.

De acordo com o Food and Drugs Administration (FDA), do Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo dos EUA, o parabeno consiste em ésteres derivados do ácido ρ-hidroxibenzóico, que vem sendo usado amplamente como conservante em produtos cosméticos, farmacêuticos, alimentícios e industriais.

Entre os produtos que podem conter parabenos, temos as maquiagens, desodorantes, hidratantes, loções, esmaltes, óleos, loções infantis, produtos para o cabelo, perfumes, tinta para tatuagens e até mesmo cremes de barbear.

Os parabenos são substâncias conservantes que podem ser nocivas, tanto aos pacientes com câncer, quanto a qualquer outra pessoa com a pele lesionada, devendo ser evitados.

Quais são os tipos de parabenos?

Os tipos de parabenos mais comuns são o metilparabeno, o propilparabeno, o etilparabeno e o butilparabeno, com alto poder de conservação e preço mais acessível. Devido à sua solubilidade relativa em água, é o mais frequente ingrediente utilizado em cosméticos e pode apresentar efeito cumulativo pela exposição contínua à derme.

O controle sobre a quantidade de parabenos presentes em cosméticos é bastante rígido. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu como limite as concentrações máximas de 0,4% de cada parabeno e no máximo de 0,8% total no produto cosmético.

A segurança dos parabenos vem sendo contestada nas últimas duas décadas, principalmente devido à desregulação endócrina que produzem, alterando a atividade de hormônios endógenos, bem como a síntese, transporte e metabolismo hormonal.

Quando os compostos prejudicam a função endócrina, eles são denominados desreguladores endócrinos. No caso específico dos estrógenos, há os xenoestrógenos, que são compostos sintéticos capazes de aumentar a síntese do estrogênio endógeno, ou desempenhar funções semelhantes ao mesmo.

Os parabenos apresentam ainda atividades pró-oxidantes na derme, estando relacionados a casos de dermatite alérgica de contato e envelhecimento da pele.

Outros possíveis efeitos atribuídos aos parabenos são no trato reprodutivo e glândulas endócrinas por possuírem atividade estrogênica, estando também relacionados ao câncer de mama.

O câncer é uma patologia crônica caracterizada pelo crescimento de células neoplásicas de forma desordenada, processo esse que ocorre devido à alteração no código genético.

Admite-se que 5% a 10% dessa enfermidade apresenta caráter hereditário e o restante deve-se a danos no material genético que ocorreram ao longo do tempo, os quais podem ter origem física, química ou biológica.

Na fase inicial do processo de carcinogênese, células normais expostas a agentes carcinogênicos sofrem danos no DNA, o que acarreta modificações no seu ciclo celular, deixando as células mais responsivas a estímulos proliferativos e menos responsivas à apoptose (morte celular), devido à inativação de genes supressores e/ou à ativação de oncogenes.

Estrógenos desempenham um papel importante na proliferação do epitélio mamário, tanto normal, quanto neoplásico, com estudos epidemiológicos, experimentais e clínicos confirmando esta associação. Após o hormônio se ligar ao seu receptor celular, ele ativa os genes hormônio-responsivos que promovem a síntese de DNA e a proliferação celular.

Num ritmo acelerado, percebemos um aumento na incidência de câncer de mama que, de acordo com o Ministério da Saúde, não possui razões bem conhecidas.

Os xenoestrógenos estão ligados à carcinogênese e por isso associados ao câncer de mama.

Entre os componentes dos cosméticos, os principais xenoestrógenos são sais de alumínio (presentes em antiperspirantes), triclosan (desodorantes, sabonetes íntimos, deocolônias e conservantes), fragrâncias sintéticas e parabenos (conservantes).

Presente em alguns pesticidas, também temos alguns xenoestrógenos capazes de se acumular no organismo através da alimentação como as dioxinas.

Seria esta uma explicação plausível para a suspeita de que o uso de produtos contendo xenoestrógenos pudesse ser uma das causas do aumento do câncer de mama no Brasil e no mundo?

No caso de cosméticos, os desodorantes e cremes hidratantes são aplicados diariamente e mesmo muitas vezes ao dia na área da axila, ao redor da mama, de forma que esta região é exposta, continuamente, a uma grande variedade de xenoestrógenos presentes nesses tipos de cosméticos, os quais são absorvidos por camadas profundas da derme.

Em um estudo realizado durante 21 anos na Inglaterra e Escócia, em mulheres acometidas por câncer de mama, observou-se que a região de maior incidência da patologia foi o quadrante superior, local este de grande aplicação de produtos cosméticos, mas também região com maior densidade mamária.

Em culturas celulares de câncer de mama, baixas concentrações de parabenos atuam estimulando o crescimento celular, quando combinados a outros xenoestrógenos.

Em arquivos de amostras de câncer de mama humano, realizou-se medidas de parabenos e evidenciou-se que o composto estava presente em quantidades abaixo daquela determinada experimentalmente para estimular o crescimento celular.

Em decorrência dos poucos estudos epidemiológicos que relacionam diretamente o uso de desodorantes nas axilas com a ocorrência do câncer de mama, esta hipótese não pode ser confirmada de forma definitiva.

Atualmente, tanto a Sociedade Americana de Câncer (ACS), quanto a Agência Internacional pelo Estudo do Câncer (IARC), que faz parte da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmam que não existem provas contundentes que possam relacionar os compostos químicos parabenos com o desenvolvimento de câncer.

Devemos lembrar que, ausência de evidência, não é evidência de ausência, logo você é o responsável pela sua saúde e, por isso, é de grande importância ter um olhar criterioso quanto à escolha do cosmético, sempre levando em consideração a sua composição química.

O paciente oncológico pode ser mais afetado pelos parabenos e, portanto, deve observar a formulação de tudo o que utiliza. Existem produtos especialmente desenvolvidos sem o uso de parabenos para os pacientes em tratamento quimioterápico ou radioterápico.

A Wecare Skin desenvolveu produtos especialmente para pacientes que estão passando por tratamento oncologico, livres de parabenos e outros agentes agressivos, como o Washcare, que é uma espuma de limpeza, que pode ser utilizada para tomar banho, o Moistcare, que é um hidratante corporal livre de parabenos, a ureia, corantes ou fragrâncias, tendo como ativos a aloe vera, a aveia e a camomila.

O consumo sustentável e cuidados com a pele, sobretudo pelo uso de cosméticos, que não atuem de forma agressiva no frágil equilíbrio da pele e tampouco representem riscos para o planeta, levou a uma produção ecologicamente correta, com a utilização, principalmente, de matérias-primas de produtos presentes na biodiversidade de cada país.

Os cosméticos produzidos, segundo esses novos conceitos, são denominados de cosméticos naturais, cosméticos orgânicos ou biocosméticos.

Existem diversas receitas caseiras capazes de substituir os cosméticos de modo eficaz que são feitas com ingredientes 100% naturais e ainda saem bem mais em conta que os cosméticos tradicionais.

O seu médico ou um especialista pode e deve te ajudar a encontrar produtos sustentáveis que não agridam a sua saúde.

Gustavo Safe é diretor e médico especialista em endometriose no Centro Avançado em Endometriose e preservação da fertilidade, Clínica Ovular fertilidade e menopausa e Instituto Safe. Estudioso dos assuntos relacionados à saúde da mulher com enfoque na dor pélvica, infertilidade, preservação da fertilidade, endometriose, endoscopia ginecológica e cirurgias minimamente invasivas.

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Desafios no controle do peso e no ganho de massa muscular

Desafios no controle do peso e no ganho de massa muscular

Desafios no controle do peso e no ganho de massa muscular

Hoje, cada vez mais, valorizam-se mulheres não mais gordinhas ou magrinhas, mas as chamadas “turbinadas”, ou que apresentam um bom (e grande) tônus muscular

No ano de 2019, um em cada quatro brasileiros com mais de 20 anos estava obeso. E foi nesse cenário preocupante que o novo coronavírus chegou ao país, sendo o excesso de peso um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento grave da COVID-19.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou que 60% da população brasileira está obesa ou com sobrepeso, baseado no Índice de Massa Corporal (peso dividido pela altura ao quadrado) que define que uma pessoa com IMC maior que 25 está com sobrepeso e IMC maior que 30 está obesa.

A obesidade entre os jovens adultos mais que dobrou entre 2003 e 2019, passando de 12,2% da população para 26,8%.

Obesidade é considerada uma doença cumulativa decorrente do acúmulo de gordura corporal pelo organismo, em função de uma ingestão de mais calorias do que as calorias queimadas por exercícios físicos e atividades diárias.

O ganho de peso nas mulheres acontece de forma distinta dos homens, pois elas têm mais gordura acumulada pelo corpo, enquanto o homem concentra mais na barriga, o que acaba sendo até mais perigoso para a saúde.

Pode não parecer, mas 62,6% das mulheres brasileiras estão obesas ou com sobrepeso, enquanto entre os homens o problema alcança 57,5%.

Entre 2003 e 2019, a obesidade feminina passou de 14,5% para 30,2%, enquanto a masculina subiu de 9,6% para 22,8%.

A base do tratamento são mudanças no estilo de vida, como dieta e exercícios, embora cada vez mais pessoas estão sendo submetidas a cirurgias bariátricas.

Percebo, no dia a dia dos consultórios, a dificuldade das mulheres em definir uma dieta ideal que atenda a suas necessidades.

A dieta saudável ou fit, além de cara, é muitas vezes mais calórica que a tradicional, gerando dificuldade em perder peso, além do fato de que alguns alimentos saudáveis como, por exemplo, o abacate, que é inflamatório e danoso à saúde intestinal feminina.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo, ouviu cerca de mil pessoas sobre o consumo de açúcar e chegou à conclusão de que 53,5% dos que fazem uso frequente do produto são do sexo feminino.

A explicação pode ser a variação hormonal que ocorre no período pré-menstrual (cólicas, inchaço e irritabilidade), quando os níveis elevados de progesterona e a queda do magnésio inibem a produção de serotonina, aumentando a compulsão por doces, especialmente chocolates.

Prefira chocolates com no mínimo 70% de cacau, pois eles têm mais magnésio e menos açúcar, devendo limitar o consumo a três quadradinhos diários (15 g).

Como forma de minimizar o consumo de açúcar neste período, são indicados os chamados doces funcionais, que seguem a mesma linha de preparo e confecção das refeições funcionais, ou seja, que buscam um equilíbrio perfeito entre os nutrientes, sem abrir mão do sabor, ou de ingredientes que as pessoas tanto adoram e que estão cada vez mais presentes nas prateleiras dos supermercados, e são livres de farinha refinada e açúcar branco, no caso da confeitaria funcional.

Existe uma diferença básica entre a dieta fit e a dieta funcional

  • A primeira se baseia em proteínas, com a diminuição do açúcar, calorias etc. – por ser uma dieta ligada à estética. 
  • A segunda, entretanto, busca aproveitar o máximo dos alimentos para tornar a sua absorção efetivamente funcional para o corpo.

Outra dica é ingerir alimentos reconhecidos como estimulantes da serotonina, como banana, leite semidesnatado, frutos do mar, carnes brancas e ovos. As castanhas também podem ser consumidas, mas com moderação. Neste caso, atenção, pois alguns destes alimentos são inflamatórios (ricos em FODMAP).

Como se não bastasse esses dilemas nas escolhas da dieta, a proura pelo aumento da massa muscular tem sido cada vez mais frequente e esse busca deve levar em conta a diferença que há entre o sexo masculino e o feminino.

Fatores que moveram a nossa evolução, tais quais a caça, a pesca, a subida em lugares altos para fugir de perigos ou encontrar alimento, a necessidade de força bruta para mover objetos pesados, sempre estiveram relacionados ao sexo masculino, o qual desenvolveu estruturas ósseas e musculares mais favoráveis, aliadas as características emocionais e hormonais.

Mas isso tudo não quer dizer que mulheres também não possam aumentar sua massa muscular de maneira significativa através da dieta e exercício físico, evitando o uso de medicações como a gestrinona, que não é isenta de efeitos colaterais.

Como vimos, as mulheres, por questões biológicas e fisiológicas, têm mais facilidade no acúmulo de gordura corpórea, maior retenção de líquido e maior dificuldade em ganhar massa magra, colocando em xeque a escolha de algumas dietas e protocolos, como o jejum intermitente.

O jejum intermitente (é um método de emagrecimento usado para intercalar períodos de jejum com períodos de alimentação) sempre esteve cercado de polêmicas.

A prática é pautada em priorizar não apenas o quê, mas quando você come, e promete uma série de benefícios – desde o emagrecimento até prevenir doenças como câncer e diabetes, por exemplo.

Quando nos alimentamos, a glicose é utilizada para energia e a gordura resultante é armazenada no tecido adiposo como triglicérides. No período de jejum, após 8 a 12 horas da refeição, as gorduras são quebradas em ácidos graxos e o fígado se converte em cetonas, que oferecem energia para o cérebro e outros tecidos.

Contudo, como qualquer tipo de dieta, o jejum intermitente funciona de formas diferentes para cada organismo, podendo levar à queda de massa magra pela maior metabolização da proteína como fonte de energia.

Estudos comprovam, inclusive, que há diferenças relacionadas ao gênero, sendo esta prática menos eficaz para as mulheres.

Embora ainda sejam pesquisas incipientes que precisam ser melhor avaliadas, há embasamento empírico em dizer que mulheres podem ter respostas diferentes ao jejum do que os homens.

Entre os exemplos, um estudo norte-americano de pequeno porte testou a resposta de oito homens e oito mulheres ao jejum. Como resultado, os homens apresentaram uma melhora na sensibilidade à insulina, enquanto sua resposta à glicose permaneceu inalterada.

Enquanto isso, as mulheres não tiveram nenhuma mudança na sensibilidade à insulina e a tolerância à glicose diminuiu. Portanto, é possível que o jejum seja menos eficaz em mulheres para a perda de peso e controle de açúcar no sangue do que para os homens.

É importante salientar que esta prática ainda afeta o ciclo menstrual feminino, uma vez que o sistema reprodutor da mulher é mais sensível às mudanças calóricas, uma vez que a falta de energia afeta o hipotálamo ou a parte do cérebro que regula hormônios, como o estrogênio, que são cruciais para o ciclo menstrual (ovulação e menstruação).

Por isso, as mulheres que fazem jejum intermitente devem garantir uma alimentação balanceada e com energia suficiente para atender às suas necessidades, sendo fundamental contar com o acompanhamento de um especialista.

O jejum intermitente não é conhecido por ser uma dieta, e sim como um estilo de vida. Apesar disso, há quem procure, equivocadamente, a técnica para dar um “choque no corpo” e garantir efeitos de emagrecimento mais rápidos.

No entanto, investir no jejum intermitente, sem o acompanhamento multidisciplinar, pode levar a problemas ginecológicos, causar hipoglicemias severas, deficiências nutricionais, desequilíbrio eletrolítico, perda de massa muscular e óssea, compulsão alimentar e outros transtornos, como anorexia nervosa.

Gustavo Safe é diretor e médico especialista em endometriose no Centro Avançado em Endometriose e preservação da fertilidade, Clínica Ovular fertilidade e menopausa e Instituto Safe. Estudioso dos assuntos relacionados à saúde da mulher com enfoque na dor pélvica, infertilidade, preservação da fertilidade, endometriose, endoscopia ginecológica e cirurgias minimamente invasivas.

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Acupuntura e o poder das suas agulhas na fertilidade

Acupuntura e o poder das suas agulhas na fertilidade

Acupuntura e o poder das suas agulhas na fertilidade

Tratar infertilidade é mais do que tratar casais que querem um bebê. É cuidar das frustrações e ajudar no equilíbrio. A acupuntura melhora as taxas reprodutivas

A acupuntura tem sido cada vez mais utilizada no tratamento de doenças e distúrbios ginecológicos, ajudando nos quadros dolorosos, nos sintomas da menopausa, nos distúrbios menstruais e na infertilidade.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a infertilidade conjugal acomete 15% dos casais em idade reprodutiva.

Este percentual pode sofrer variações em função de diversos fatores, dependendo da população que está sendo avaliada.

Um dos fatores que mais influenciam é a idade, pois muitos casais demoram a casar ou juntar-se e esperam ter filhos após estar financeiramente estabelecidos ou com suas carreiras estáveis.

O aumento da idade leva à diminuição das chances de engravidar, assim como a um aumento das possibilidades de perda fetal ou aborto.

A acupuntura foi reconhecida como uma especialidade médica em 1995, com surgimento dos primeiros trabalhos na infertilidade em 2002.

Em 19 de novembro de 2010, a acupuntura foi declarada Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Geralmente, a acupuntura é segura, quando exercida apropriadamente por profissionais treinados e certificados, usando agulhas esterilizadas ou de uso único. Quando indicada e aplicada corretamente, apresenta baixo grau de efeitos colaterais.

Acupuntura é uma forma de medicina alternativa e um ramo da medicina tradicional chinesa (MTC), no qual finas agulhas são inseridas em pontos definidos do corpo – chamados de “Pontos de Acupuntura” ou “Acupontos” – que se distribuem principalmente sobre linhas chamadas “meridianos” ou “canais de energia”, para obter diferentes efeitos terapêuticos de forma individualizada.

O leque de opções do acupunturista, entretanto, costuma ser bem mais amplo, podendo-se estimular os acupontos e meridianos com os dedos (do-in), instrumentos específicos semelhantes a um pente de osso ou jade (gua sha), ventosas (ventosaterapia), massagens (tui na) e outras técnicas como, por exemplo, a sangria.

Existem dois ramos principais da acupuntura: o que se baseia nos oito princípios da medicina tradicional chinesa, e o que se baseia na teoria dos cinco elementos.

Sua teoria geral é baseada na premissa de que existem padrões de fluxo de energia (Qi) através do corpo, que são essenciais para a saúde, e a desregularização desse fluxo energético resulta na doença.

A técnica corrige os desequilíbrios do fluxo, auxiliando no tratamento da doença.

A medicina tradicional chinesa identifica vários padrões de desarmonia nos casos de infertilidade em mulheres, incluindo falta de energia, ciclos menstruais irregulares e cansaço excessivo

O uso da acupuntura na infertilidade pode se dar em dois contextos diferentes. O primeiro em pacientes com infertilidade, sem causa aparente (ISCA), e o segundo no auxílio das técnicas de reprodução assistida, como fertilização in vitro (FIV).

O médico acupunturista deve ser cuidadoso ao acompanhar as pacientes que o procuram para tentar engravidar, pois antes de tudo é necessário o diagnóstico e acompanhamento correto da infertilidade por um especialista (ginecologista ou infertileuta).

A acupuntura precisa ser usada como terapia complementar à fertilização assistida, e não como forma exclusiva de tratamento da infertilidade.

Nos dias de hoje, as clínicas de reprodução humana têm recomendado o uso da acupuntura como um tratamento complementar aos ciclos de FIV.

Pacientes que realizaram a acupuntura simultaneamente ao tratamento de fertilização assistida tiveram notadamente maior índice de gravidez que aquelas que só fizeram a FIV (cerca de 10% a 12% a mais de pacientes grávidas no grupo com acupuntura).

Os efeitos relatados da acupuntura para a fertilidade incluem:

  1. Aumento do fluxo de sangue na região do útero e dos ovários
  2. Liberação de um neuro-hormônio chamado de β-endorfina e outros neuropeptídeos que estão presentes no hipotálamo, hipófise, medula e ovários.
  3. Regularização dos ciclos através da sua ação no eixo hipotálamo-hipófise-ovário. Sabe-se que o estresse afeta diretamente a ovulação e pode chegar até a inibi-la em alguns casos.
  4. Redução do estresse, através da liberação de substâncias específicas.
  5. Diminuição dos efeitos colaterais das medicações da FIV, como irritabilidade, aumento de peso, inchaço, dores de cabeça, mal-estar geral do corpo.
  6. Melhora a qualidade dos óvulos que serão utilizados naquele ciclo.
  7. Melhora da nidação (implantação na parede do útero) e desenvolvimento do embrião após a transferência.
  8. Oportunidade de relaxamento, consciência corporal e promoção da saúde, focando no bem-estar corporal e autoconfiança da mulher. Aqui não se trata de quais pontos, e sim da visão do todo, da capacidade de escuta e percepção da necessidade de cada paciente.

A recomendação é que o tratamento com as agulhas se inicie antes do processo de fertilização, para melhorar o estado geral da mulher, sempre com o acompanhamento do médico. O tratamento pode ser realizado até com duas sessões semanais nos meses que antecedem o procedimento.

Durante o ciclo da FIV, a acupuntura deve ser realizada antes e logo após a transferência de embriões, na Clínica de Reprodução Assistida, sendo este o dia considerado mais importante de acordo com os trabalhos.

Segundo os trabalhos científicos, a acupuntura pode aumentar em até 15% a 20% as chances de uma gravidez, como podemos observar a seguir:

– Paulus et al, em 2002, mostrou aumento da taxa de gravidez pós acupuntura de 26% para 42%

– Em 2006, Dieterle et al, Smith et al, Westergaard et al com aumento da taxa de gravidez pós acupuntura de 15% para 43%, 22% para 30%, 21% para 35% respectivamente

– Teshima, em 2007, publicou um trabalho nos anais do congresso da ASRM em Washington , mostrando a experiência de 3 anos no tratamento da infertilidade no Brasil, mostrando uma melhora de 37% para 51% ao se associar a acupuntura aos ciclos de FIV no dia da transferência de embriões.

– Mannheimer, em 2008, com sua meta análise com 7 estudos e 1366 pacientes, mostrou um aumento das taxas de gestação clínica (OR 1,65), gravidez viável (OR1,87) e nascidos vivos (OR 1,91)

– Ng et al analisaram 10 estudos randomizados e obtiveram um aumento da taxa de gravidez clínica (OR 1,42 e OR 1,83) quando realizado antes e no dia da transferência de embriões

A Sociedade Brasileira de Reprodução Humana reconheceu a acupuntura como um tratamento complementar recomendado para melhorar a infertilidade, associado às técnicas de reprodução assistida, contando com um capítulo no seu Tratado de Reprodução Assistida desde 2011.

Os tratamentos contra a infertilidade costumam ser bastante estressantes, pois demandam muitos processos que, somados à ansiedade natural da mulher, são capazes de gerar um desequilíbrio.

Existe uma necessidade de mais estudos sobre o assunto, mas os dados existentes validam o uso da acupuntura em conjunto com os tratamentos da reprodução assistida, orientados por um especialista em reprodução humana.

Gustavo Safe é diretor e médico especialista em endometriose no Centro Avançado em Endometriose e preservação da fertilidade, Clínica Ovular fertilidade e menopausa e Instituto Safe. Estudioso dos assuntos relacionados à saúde da mulher com enfoque na dor pélvica, infertilidade, preservação da fertilidade, endometriose, endoscopia ginecológica e cirurgias minimamente invasivas.

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