Congestão pélvica, a inimiga número 1 das mulheres

Congestão pélvica, a inimiga número 1 das mulheres

Varizes (congestão pélvica), a inimiga número 1 das mulheres

É impossível ignorar como o estilo de vida da mulher moderna provoca danos à saúde feminina, gerando problemas venosos que são exclusivos da mulher

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 70% dos adultos brasileiros apresentam algum tipo de varizes que, com o passar do tempo, pode ter uma evolução no quadro com o acúmulo de sangue não só nas pernas, mas na pelve podendo gerar complicações como dores, inchaço e trombose venosa.

O sistema circulatório ou cardiovascular é formado pelo coração e vasos sanguíneos sendo responsável pelo transporte de nutrientes e oxigênio para as diversas partes do corpo.

Os vasos sanguíneos são tubos do sistema circulatório, distribuídos por todo o corpo onde circula o sangue. São formados por uma rede de artérias e veias que se ramificam formando os capilares.

As artérias são vasos do sistema circulatório, que saem do coração e transportam o sangue para as outras partes do corpo. A parede da artéria é espessa, formada de tecido muscular e elástico, que suporta a pressão do sangue. 

As veias são vasos do sistema circulatório com as paredes mais finas que as das artérias. As veias possuem válvulas cuja finalidade é impedir o retorno do sangue aos pés pela ação da gravidade. Às vezes, essas válvulas não funcionam bem e o sangue fica retido nas veias provocando deformação e inchaço.

Varizes são veias tortuosas e dilatadas que surgem pelo adoecimento dos vasos. Ao contrário do que se possa pensar, as varizes das pernas não são apenas um problema estético. A sua presença indica uma veia doente, sendo muitas vezes o primeiro sinal de uma insuficiência venosa crônica.

Os tipos de varizes (congestão pélvica)

As varizes são mais grossas do que os derrames, medindo mais de 3mm de diâmetro. Os derrames, também conhecidos por “vasinhos” (o nome técnico é telangiectasias), são vasos sanguíneos finos arroxeados e azulados, medindo menos do que 1 mm de largura. As microvarizes ou varizes reticulares são aquelas que medem entre 1 e 3 mm de diâmetro.

O fator hormonal é um fator desencadeante para a doença venosa e ela é, sim, mais presente em mulheres devido a essas variações hormonais ao longo da vida (gravidez) ou o maior uso de anticoncepcionais pela mulher moderna. 

Uma coisa é fato: existe uma associação entre varizes e anticoncepcional. Cuidado com os mitos desenvolvidos nos consultórios, pois é possível que essa relação tenha se tornado um tanto equivocada. 

Primeiramente, o anticoncepcional é um fator desencadeante das varizes em decorrência dos hormônios presentes em sua fórmula: o estrogênio e a progesterona. Cada um provoca um efeito nas estruturas envolvidas na circulação e no fluxo do sangue. 

O estrogênio altera as paredes das veias e danifica as válvulas responsáveis pelo controle da passagem do sangue dentro delas. Por sua vez, a progesterona aumenta a dilatação das veias e o fluxo de sangue que passa por ela. 

Além das mulheres, as pessoas mais propensas a ter varizes são idosos, pessoas com sobrepeso, pessoas que trabalham muito tempo de pé ou excessivamente sentadas, usuários de terapias hormonais, ou mulheres que já tiveram várias gestações. 

Embora o fator genético exista, mudar alguns hábitos como o sedentarismo, tabagismo e alcoolismo (pois o álcool alarga as veias) pode influenciar positivamente, evitando o surgimento ou agravo das varizes em pessoas com predisposição genética. 

No entanto, a maioria das varizes localizam-se habitualmente nos membros inferiores (nas pernas), podendo aparecer apenas numa perna ou nas duas.

Cerca de 70% das varizes que ocorrem são decorrentes da veia grande Safena, que se estende da parte interna do tornozelo até a virilha explicando a ocorrência de varizes nos pés, nas pernas, nas coxas e nas virilhas.

Por sua vez, é mais raro o surgimento de varizes no ânus (varizes hemorroidárias que causam principalmente dor e sangramento na região e na pelve (varizes pélvicas que surgem na vulva, na vagina, úteros, ovário e glúteos). 

São causa de sensação de peso na região pélvica, de dor durante e após a relação sexual, incontinência urinária e aumento de menstruação, podendo ainda estar relacionadas secundariamente a uma diminuição do desejo sexual, depressão e perda de autoestima.

Embora tenhamos especialidades médicas (cirurgia cardiovascular e angiologia) para tratamento específico dos problemas circulatórios, esses problemas acabam acometendo mais as mulheres, sendo importante uma abordagem multidisciplinar com ginecologista e fisioterapeuta, por exemplo.

PARA ALGUMAS MULHERES, SEXO NÃO É SINÔNIMO DE PRAZER, MAS, SIM, DE DOR.

A causa do problema pode ser as varizes pélvicas próximas ao útero, ovários e trompas, que atrapalham o retorno venoso, geram inflamação e causam dor intensa. O quadro pode causar dor durante e após o ato sexual intensificando-se próximo ao período menstrual.

Muitas vezes não sabemos se a anorgasmia (incapacidade de chegar ao orgasmo) leva à congestão pélvica ou a congestão pélvica leva à dor e anorgasmia. 

Embora o orgasmo não seja fundamental, ele é importante pois no período de excitação sexual temos uma aumento do aporte de sangue para a pelve com o seu esvaziamento após o orgasmo.

Isto é importante pois, dependendo do tipo de anorgasmia, o estímulo à masturbação pode ser o suficiente para amenizar ou melhorar o problema.

Classificamos a anorgasmia em primária se o paciente nunca teve a experiência de sentir um. Secundária, o paciente costumava sentir orgasmos, mas parou de ter. Situacional refere-se ao orgasmo que não é obtido em algumas situações, como durante o sexo vaginal ou com um determinado parceiro, mas ocorre normalmente durante a masturbação ou sexo oral. No generalizado, temos uma incapacidade total de sentir orgasmo em qualquer situação.

A congestão pélvica é uma causa comum de dor pélvica crónica. A dor localiza-se na porção inferior do abdômen e tem uma duração superior a 6 meses, associado a sintomas que interferem na qualidade de vida com manifestação exclusiva em mulheres.

A maioria das mulheres com síndrome de congestão pélvica possuem idades entre 20 e 50 anos e múltiplas gestações. É comum encontrar congestão em nuligestas (sem filhos) com baixa porcentagem de gordura corporal decorrente de excesso de atividade física (bailarinas, maratonistas, triatletas,…).

Durante a gravidez, o corpo da mãe produz sangue a mais para sustentar dois organismos associado à compressão mecânica dos vasos pelo útero após 20 semanas, provocando dilatação das veias nas pernas, pelve (vulva, vagina, útero e anexo) e reto (hemorroidas).

As veias ovarianas têm dificuldade de recuperar o seu tamanho normal depois da gravidez, uma vez que na gestação elas aumentam o seu diâmetro em até 60 vezes.

A veia ovariana ou gonadal esquerda desemboca num ângulo de 90 graus na veia renal à esquerda, o que favorece maior refluxo à esquerda em relação à direita que desemboca obliquamente na veia cava.

Por isso a mulher tem mais varizes à esquerda. Apesar de muitas pacientes apresentar este quadro e serem assintomáticas, podemos relacionar alguns sintomas comuns, que juntos são chamados de Síndrome da Congestão Pélvica.

Sintomas da síndrome da congestão pélvica

1- Dor crônica que piora ao permanecer em pé ou fazer valsalva (esforço abdominal).

2- Dor durante e após a relação sexual (horas ou dias). 

3- Dor nas costas.

4- Frequência e urgência urinária na ausência de infecção de urina.

5- Cólica menstrual secundária lateral ou central.

6- Distúrbios menstruais.

7- Sintomas gastrointestinais e distensão abdominal que não se enquadram no diagnóstico de cólon irritável.

8- Fadiga (cansaço) crônica.

9- Algumas mulheres, às vezes, têm secreção clara abundante ou líquida saindo pela vagina. 

Como é realizado o diagnóstico da síndrome da congestão pélvica

O diagnóstico é feito mediante a história clínica da paciente associado ao estudo de eco-doppler (ultrassom vascular) e ultrassom pélvico/endovaginal. Este exame ajuda a definir qual a intervenção mais adequada.

Existem dois sinais patognomônicos que ajudam na detecção. No toque vaginal é possível perceber os ovários muito sensíveis a mobilização com dor à movimentação do colo do útero.

Alguns especialistas recomendam exames complementares como a venografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética e venografia com Ressonância magnética. 

O médico especialista depois de uma avaliação rigorosa irá selecionar qual o melhor tratamento (cirúrgicos e não cirúrgicos) para cada paciente considerando os diferentes tipos de varizes.

Antes mesmo de pensar em remédio para varizes ou em fazer cirurgia de varizes, é importante pensar em algumas mudanças de hábitos para evitar o desenvolvimento delas e/ou recidivas no futuro.

A obesidade também pode prejudicar o sistema circulatório por conta da elevada pressão exercida pela gordura abdominal.

Uso de meias elásticas de compressão e o uso de água quente diminuem bastante as queixas. 

O tratamento da síndrome de congestão pélvica inclui altas doses de Acetato de Medroxiprogesterona, AINEs (anti-inflamatório) e Agonistas do GnRH, prescritos pelo médico responsável.

Pode-se embolizar as varicosidades detectadas durante a venografia com pequenas molas ou um agente embólico após anestesia local ou sedação intravenosa, reduzindo a necessidade de analgésicos após o procedimento em até 80%.

O tratamento cirúrgico das varizes pélvicas pode consistir em ligadura de veias, ooforectomia (retirar o ovário) ou histerectomia (cirurgia que remove o útero). O risco e o benefício dessas cirurgias depende de vários fatores, como a idade e a paridade.

A cirurgia das veias das pernas (flebectomia), consiste na remoção de uma ou mais veias através de pequenas incisões (cortes), que geralmente variam de 1mm a 3mm de extensão, dependendo do diâmetro da veia. 

Por se tratar de um problema genético (hereditário), influenciado pela epigenética, não existem medidas isoladas eficazes sendo necessário um conjunto de medidas para alcançar o sucesso na prevenção e no tratamento.

Gustavo Safe, médico especialista em endometriose.

Apresentar cólica menstrual invalidante não é normal

Apresentar cólica menstrual invalidante não é normal

Este processo doloroso começa na adolescência, período caracterizado por mudanças biopsicossociais, onde definir o que é normal do anormal é difícil

É muito comum nos depararmos com mulheres banalizando os sintomas menstruais, como cólicas, iguais aos de suas irmãs, mães e avós, e médicos negligenciando ou subtratando estes sintomas esperando que melhore com a idade, gestação e parto.  

A cólica menstrual acomete mais de 50% das mulheres em idade fértil, mas será que pode ser considerada como normal?

Na medicina, parece razoável entender “normal” em função das distribuições gaussianas, ou seja, distribuídas de acordo com a conhecida curva de Gauss em forma de sino, apesar de termos estudiosos contrários a essa ideia.

Quando isto ocorre, indivíduos normais são aqueles cujos fatores tenham índices situados no intervalo (M-s, M+s), onde M é a média e s o desvio padrão das medidas. Este intervalo abrange cerca de 68% dos indivíduos considerados.

Em um estudo realizado com 1.051 adolescentes entre 16 e 18 anos em 2008 sobre a experiência menstrual, foi demonstrado que 94% destas adolescentes apresentavam dor, sendo 21% com intensidade severa. 

Neste estudo, 71,4% das adolescentes acreditavam que a dor era normal e apenas 26,9% acreditavam que tinha algo errado, com apenas 33% procurando ajuda médica.

Este processo doloroso começa na adolescência, período da vida caracterizado por mudanças biopsicossociais, onde definir o que é normal do anormal é extremamente difícil.

De acordo com a International Association for the Study of Pain (2019), a dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável, causada por uma lesão tecidual real ou potencial, processados pelo cérebro que pode estar correlacionada com processo inflamatório, dor e alterações psicológicas. 

Todos percebem, no dia a dia, que aquela adolescente em um dia nublado, frio, precisando estudar, trabalhar, vai apresentar muito mais dor menstrual em comparação a um final de semana ensolarado com churrasco e festas.

A intensidade da dor pode ser analisada através do uso de uma escala analógica visual ou de questionários de qualidade de vida, que nos ajudam a afastar essas variáveis.

Por ser um elemento de alerta, a dor capacita o indivíduo a detectar estímulos físicos, químicos e nocivos, prestes a causar ou que já tenham causado lesões, não devendo nunca ser banalizada para que uma dor aguda (dor intensa que dura um tempo relativamente curto, inferior a 48 horas) não vire dor crônica (dor que dura um período maior de tempo, geralmente superior a 3-6 meses). 

Qualquer dor, seja ela aguda ou crônica, de causa conhecida ou desconhecida, varia de pessoa para pessoa, sendo influenciada por fatores culturais, étnicos, sociais e ambientais. 

É comum que uma pessoa que sofre de dor menstrual severa não fale sobre isso ao seu médico, principalmente quando possui histórico de cólicas menstruais em familiares (mãe, irmã, avó….).

Infelizmente, percebo que médicos também acabam banalizando esses sintomas menstruais de dor, quando são relatados pelas pacientes gerando um retardo diagnóstico ou um subtratamento que impactam na qualidade de vida da mulher.

COMO ENTENDER O QUE CAUSA E ALIVIA AS CÓLICAS MENSTRUAIS?

O nosso objetivo inicial é chamar atenção para aquelas cólicas invalidantes que não são normais!

As cólicas menstruais podem ser classificadas de várias formas:

Elas são classificadas em Tipo 0, quando a mulher não precisa utilizar medicação para dor; Tipo 1, quando utiliza medicação para dor e apresenta alívio completo; Tipo 2, quando apresenta alívio parcial e Tipo 3, considerada invalidante, quando não ocorre nenhum alívio com uso de analgésicos, inclusive opióides, levando-a a procurar serviços de saúde, absenteísmo, licença médica e baixa produtividade na escola ou no trabalho.

Elas são “primárias” ou “secundárias”, quando o seu início está relacionado à menarca (primeira menstruação). 

A dismenorréia primária, palavra clínica para menstruações dolorosas, é a dor que tem início desde a menarca sendo geralmente decorrente de alteração hormonal.

Dismenorréia secundária é a dor geralmente decorrente de uma causa física, iniciando-se alguns meses ou anos após a menarca.

Cólicas menstruais são provavelmente causadas por um excesso de prostaglandinas – compostos semelhantes a hormônios que são liberados do revestimento uterino (o endométrio) durante a preparação para a sua eliminação, em especial diante de um quadro inflamatório.

As prostaglandinas ajudam o útero a contrair e relaxar, de modo que o endométrio possa descamar e ser eliminado através da menstruação. 

Elas são uma parte necessária do processo, mas em excesso, causam dor se o útero se contrair fortemente, pois durante a contração o fluxo sanguíneo é reduzido e o suprimento de oxigênio para o tecido muscular do útero diminui, causando dor.

Em relação ao período menstrual, as cólicas podem ser pré-menstruais, intermenstruais ou pós-menstruais, podendo em casos selecionados durar todos os 3 períodos.

Neste contexto, as cólicas pré-menstruais começam antes do início do sangramento, estando mais relacionadas à existência de um processo inflamatório (dismenorreia secundária), diferente daquelas que têm início com o fluxo menstrual, relacionadas a sangramentos intensos (muitos coágulos) e/ou de longa duração (maior que 3 dias).

Existem outros fatores capazes de influenciar, como hábitos de vida (tipo de dieta, IMC, tabagismo e consumo de álcool), idade da menarca e tipo de ciclo, como os irregulares e anovulatórios, pelo fato de não produzirem o hormônio progesterona, que além de modular a dor, tem ação anti-inflamatória. 

A inflamação também tem sido associada ao agravamento de outros sintomas pré-menstruais, incluindo alterações do humor.

É fundamental afastar a Endometriose (presença de endométrio, tecido que reveste a cavidade uterina, fora do útero), uma doença inflamatória crônica e evolutiva, que acomete uma em cada dez mulheres em idade fértil. 

Você certamente tem familiaridade com as cólicas menstruais, mas não imagina que elas são sentidas na pelve, no abdômen, nas costas ou nas coxas em função das estruturas oca (intestino, útero, bexiga, ureter) que muda de forma dilatando e contraindo devido aos estímulos das prostaglandinas.

 

COMO FAÇO PARA ALIVIAR AS CÓLICAS MENSTRUAIS?

Todos os métodos de alívio das cólicas tentam reduzir a inflamação, limitar a produção de prostaglandina, bloquear a dor, aumentar o fluxo de sangue uterino, diminuir o fluxo intenso e tratar ou controlar uma doença subjacente, como a endometriose.

Os métodos de alívio das cólicas que se pode tentar (de preferência com orientação de profissionais de saúde) incluem:

  • Medicamentos anti-inflamatórios (ibuprofeno, ácido mefenâmico, piroxicam,…)
  • Calor (bolsas de água quente); nunca desmereça a bolsa de água quente que sua avó usava. O calor é um método simples, testado e comprovado, capaz de aliviar a dor das cólicas menstruais, além de ser barato e não ter efeitos colaterais.
  • Estimulação dos nervos transcutâneos (TENS), também é um tratamento aprovado para cólicas menstruais. Ele consiste de um pequeno aparelho que fornece corrente elétrica de baixa voltagem à pele, possivelmente aumentando o limiar de dor e estimulando a liberação de endorfinas naturais do corpo.
  • Mudanças na alimentação (evitar alimentos inflamatórios – FODMAP).
  • Apesar da suplementação ser menos estabelecida, a reposição  do magnésio pode ser eficaz na redução das cólicas menstruais a longo prazo, assim como a reposição do zinco, gengibre, vitamina E, vitamina B6, vitamina D e o uso por mais de 3 meses de óleo de peixe.
  • O alívio do estresse pode ajudar a amenizar as cólicas menstruais em algumas pessoas. O estresse durante a fase folicular (a primeira parte do ciclo) pode ter maior probabilidade de causar uma menstruação dolorosa, do que o estresse na fase lútea (a segunda parte do ciclo).
  • Parar de fumar. O fumo passivo também pode aumentar as cólicas menstruais.
  • Realizar atividade física aeróbica, uma vez que uma meta-análise de 11 estudos descobriu que atividades aeróbicas, alongamentos e ioga, ajudam a diminuir a intensidade da dor menstrual e também pode encurtar sua duração. O exercício físico também pode ajudar na redução do estresse, o que pode contribuir para diminuir a dor. 
  • A prática sexual e o orgasmos podem ajudar no alívio das cólicas menstruais. Não se esquecer que a masturbação pode ser uma ferramenta útil.

Maior autocuidado, maior autoconhecimento. Falar sobre suas cólicas com os pais ou responsáveis, amigos ou profissionais de saúde, parece trazer muito conforto para as pessoas. 

De um modo geral, não há dúvidas de que a dor é muitas vezes uma experiência traumática com repercussões na personalidade da paciente.

Não deixe de conversar com seu ginecologista se identificar qualquer anormalidade na sua menstruação.

Gustavo Safe

A raiz dourada no combate ao estresse da mulher moderna

A raiz dourada no combate ao estresse da mulher moderna

Este será o século do estresse, marcado pelo ritmo frenético das mudanças e constantes rupturas. Depois da emancipação, mulheres têm alto preço a pagar

O que é o estresse?

O estresse nada mais é que uma resposta física do nosso organismo a um estímulo. É uma palavra que vem da física. Estresse e tensão são sinônimos e significam a quantidade de força aplicada em uma determinada área.

Quando estressado, o corpo pensa que está sob ataque, muda para o modo “lutar ou fugir”, liberando uma mistura complexa de hormônios e substâncias químicas, como adrenalina, cortisol e norepinefrina para preparar o corpo para a ação física.

O estresse foi muito importante para a sobrevivência da nossa espécie e provavelmente pela nossa evolução, mas tem se tornado uma ameaça de um predador diferente nos dias atuais, como o cumprimento de prazos, pagamento de contas e malabarismos para conciliar carreira e família.

Cortisol (hormônio do estresse) é um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais, localizadas acima dos rins.

A função do cortisol é ajudar o organismo a controlar o estresse, reduzir inflamações, contribuir para o funcionamento do sistema imune e manter os níveis de açúcar no sangue constantes, assim como a pressão arterial.

Os níveis de cortisol no sangue variam durante o dia, estando relacionados com a atividade diária e a serotonina, que é responsável pela sensação de prazer e de bem-estar.

O cortisol alto no sangue pode originar sintomas, como perda de massa muscular, aumento de peso, diminuição da testosterona, irregularidade menstrual e osteoporose.

Já o cortisol baixo pode originar sintomas de depressão, cansaço, fraqueza.

Quais são os tipos?

  • Temos o estresse agudo, que, teoricamente, pode ser considerado “saudável”. É a forma mais comum de estresse. É a reação do organismo frente a um novo desafio, uma briga, um acidente.
  • O estresse agudo episódico, que acontece com frequência, deixa de ser saudável. É o que acontece, por exemplo, com uma pessoa pessimista.
  • O estresse crônico nunca desaparece. Em geral, decorre de experiências traumáticas na primeira infância, sendo internalizadas, e que permanecem dolorosas e presentes.

De acordo com estudos de Selye, o estresse pode ser classificado em três fases principais: fase de alarme, resistência e esgotamento, os quais determinam os graus de agressão externa ao corpo humano.

O estresse pode ser apontado como uma reação individual, podendo ser positiva, chamado de “eustresse”, quando o indivíduo recebe descargas de adrenalina e se sente estimulado a lidar com situações; em oposição, o estresse negativo, conhecido como “distresse”, que acaba por trazer malefícios.

Desta forma, alguns questionamentos surgem: o estresse pode ser considerado uma doença? O estresse envelhece? Fique tranquilo (a). O estresse não é considerado doença, mas isso não significa que não possa ser o causador (segundo o Instituto de Psicologia e Controle do Stress – IPCS), ao enfraquecer o organismo e provocar mau funcionamento do sistema imunológico.

Em contrapartida, o estresse envelhece, segundo pesquisadores da Universidade de Duke, nos Estados Unidos.

A adrenalina, hormônio liberado quando alguém está sob estresse e tensão, pode diminuir a quantidade da proteína P53, responsável por proteger o genoma e evitar o envelhecimento.

A manutenção de um estado de estresse por longos períodos pode ser prejudicial à saúde, desencadeando problemas cognitivos, como déficit de memória, esquecimentos das atividades que precisavam ser feitas, dificuldade de manter-se concentrado, agitação, inquietação com pensamentos acelerados , preocupação excessiva e constante, pessimismo e visão distorcida da realidade.

Sintomas do estresse

Podem ocorrer problemas físicos, como dor de cabeça constante, enxaqueca, dores musculares e tensão nos ombros; alterações no sistema gastrointestinal (diarreia, constipação, mal estar no abdômen, azia, queimação no estômago – gastrite -, náuseas e/ou tonturas), além de dores no peito, batimento cardíaco acelerado (arritmia), cansaço e perda de libido.

Problemas emocionais também podem ocorrer, como alterações no humor, irritabilidade, dificuldade para relaxar, sensação de sobrecarga, sentimento de solidão, isolamento social, infelicidade, choro fácil e depressão.

Como acabar com o estresse?

Para isso, é preciso começar identificando a causa inicial, estimular os relacionamentos fortes, o controle da respiração, a prática de atividade física (que libera endorfina, o hormônio do bem-estar), a meditação e a yoga.

Esses dois últimos, cada vez mais em yoga, são comprovadamente grandes inimigos do estresse. As práticas milenares surtem efeitos positivos na mente e no corpo.

O Hospital Israelita Albert Einstein, juntamente com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e o Instituto Appana Mind, realizou uma pesquisa reveladora que concluiu que 1 hora e 15 minutos de yoga e meditação, três vezes por semana, ao longo de dois meses, tem o poder de cortar pela metade a concentração de cortisol e adrenalina.

De acordo com uma outra pesquisa da Associação Americana de Psicologia, o estresse mantém mais de 40% dos adultos acordados (provoca insônia).

Para garantir que você tenha 7 ou 8 horas de sono, corte a cafeína, reduza distrações como a televisão no quarto, computadores na cama e celulares.

Tente ir para a cama todos os dias no mesmo horário respeitando o ciclo circadiano, também conhecido como ritmo circadiano.

Neste período de 24 horas, o relógio biológico interno mantém as atividades e os processos biológicos do corpo, como metabolismo, sono, vigília, e é influenciado pela exposição a diferentes tipos de estímulos durante o dia, como a luminosidade que estimula a produção de cortisol ou melatonina, alterando a temperatura corporal e regulando o metabolismo para manter a pessoa acordada ou dormindo. 

Cada pessoa tem o seu próprio relógio biológico, no qual as atividades são classificadas em matutinas, vespertinas ou intermediárias, conforme os períodos de sono e vigília.

As plantas medicinais devem, se possível, ser usadas na forma de suplementos, pois a concentração de seus princípios ativos é muito superior a qualquer chá ou infusão, apresentando efeitos mais rápidos.

Esse tipo de suplementos deve ser sempre orientado por um naturopata ou médico, pois existem algumas plantas que estão contra indicadas para grávidas ou pessoas idosas, assim como podem apresentar interações com alguns medicamentos utilizados.

Algumas das plantas mais usadas são a alcaçuz, ashwagandha, panax ginseng e a rhodiola rosea.

Apresentaram-me a rhodiola rosea, também conhecida por raiz de ouro ou raiz dourada, há alguns anos, durante um evento científico sobre saúde da mulher.

É uma planta medicinal, conhecida como adaptogênica, ou seja, que é capaz de adaptar o funcionamento do corpo, ajudando a aumentar a resistência física, reduzir os efeitos do estresse físico, psicológico, tóxico, químico, infeccioso, neoplásico (cancerígeno), de envelhecimento, entre outros.

A raiz de ouro cresce em grandes altitudes, entre 2,4 mil e 3 mil metros, nas montanhas da Sibéria, da República da Geórgia e da Escandinávia.

Durante séculos, as pessoas que viveram em grandes altitudes colheram essas raízes e as utilizaram para sobreviver aos seus ambientes severos.

A localização dessas plantas era mantida em segredo. As raízes eram trocadas por alimentos e outros bens. Imperadores chineses enviavam expedições para trazer as preciosas raízes.

As pessoas costumam perguntar como uma única erva pode ter tantos benefícios terapêuticos diferentes. A resposta é bem simples. As raízes da rhodiola rosea contém dúzias de compostos bioativos que possuem ações individuais e sinérgicas (que trabalham juntas), por exemplo, ação antioxidante, anti fadiga e antiestresse. Estudos genômicos indicam que uma única dose de extrato de raiz de ouro pode afetar a atividade de mais de 800 genes diferentes.

Um acompanhamento psicológico ajudará a identificar situações e crenças que contribuem para elevar o estresse crônico e definir um plano de ação para mudar a situação.

Começo a acreditar no papel de uma psicologia preventiva nos dias atuais.

O ginecologista exerce um papel importante na prevenção, no diagnóstico e no tratamento, através de uma ginecologia integral, funcional e emocional.

Prescrições de medicações não são receita de bolo e podem variar ao longo da vida da mulher, que apresenta várias fases com várias variáveis.

Gustavo Safe