Saúde intestinal da mulher e a dieta anti-inflamatória

Saúde intestinal da mulher e a dieta anti-inflamatória

Distúrbios intestinais decorrentes de alergia, intolerância e inflamação predispõem o desenvolvimento de doenças

O intestino possui 500 milhões de neurônios e 30 neurotransmissores, sendo independente do sistema nervoso central, podendo ser considerado hoje como o nosso segundo cérebro, com funções muito mais amplas do que só processar alimentos.

O aparelho gastrointestinal ou trato digestório é um tubo oco que se estende da cavidade bucal ao ânus. Formado pela boca, faringe, esôfago, intestino delgado, intestino grosso e ânus, além de órgãos acessórios.

O intestino permite a passagem de alimentos digeridos, facilitando a absorção dos nutrientes e eliminando os resíduos. É uma das partes mais importantes do sistema digestivo e pode ser dividido em duas partes principais: o intestino delgado, que é a parte mais comprida (7 metros), onde ocorre a absorção da maior parte dos nutrientes, como açúcares e aminoácidos, e um pouco de água, e o intestino grosso (2 metros), onde mais de 60% da água é absorvida.

É sabido que 60% da nossa imunidade está diretamente ligada à saúde intestinal e que 95% da serotonina produzida é liberada pelo cólon (região do intestino grosso). A serotonina é um neurotransmissor que afeta muitas funções corporais, como o peristaltismo intestinal, que é o movimento involuntário que o intestino faz para empurrar o bolo alimentar e permitir que a digestão aconteça no lugar certo.

Ela também está associada a muitos transtornos psiquiátricos. Sua concentração pode ser reduzida pelo estresse e influenciar o humor, a ansiedade e a felicidade.

Nossa dieta (cardápio diário) depende dos hábitos alimentares que têm se tornado cada vez piores no Brasil e no mundo, gerando uma necessidade de reeducação alimentar. Estes hábitos são influenciados por vários fatores individuais, como necessidade de ganhar massa magra (proteínas), reduzir gordura corporal, repor nutrientes, controlar diabetes, hipertensão arterial e até mesmo tratar algumas doenças.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (UEDA) esquematizou, em 1992, a primeira pirâmide alimentar, embora os primeiros guias alimentares tenham sido criados nos anos 1970.

A pirâmide alimentar é um tipo de gráfico que sistematiza os alimentos de acordo com suas funções e seus nutrientes, divididos em quatro níveis:

Alimentos energéticos – (carboidratos) são do grupo 1; os reguladores, dos grupos 2 (verduras e legumes) e grupos 3 (frutas); os construtores, dos grupos 4 (leite e derivados), grupo 5 (carnes e ovos), grupo 6 (leguminosas e oleaginosas) e os energéticos extras, dos grupos 7 (óleos e gorduras) e 8 (açúcares e doces).

A água aparece na base da pirâmide, configurando o alimento mais essencial para o ser humano. Os nutricionistas recomendam a ingestão diária de no mínimo 2 litros.

Muitas pessoas já escutaram muitas histórias, entre as quais a de que não se deve tomar leite e chupar manga, porque faz mal. Lembro-me bem, quando estava na escola, o professor de história dizer que isto comecou na época da escravidão, quando os coroneis disseminavam isto para que os escravos não tomassem o leite da fazenda.

MITO OU VERDADE?

(VERDADE) Leite e manga são bons exemplos de alimentos com alto teor de FODMAP, o que representa alto potencial em gerar distúrbio intestinal decorrente de ação inflamatória.

O que são FODMAPs?

FODMAP é o conjunto de alimentos fermentáveis que são mal absorvidos pelo nosso organismo e que podem causar desconforto intestinal.

FODMAPs é a sigla de um acrônimo em inglês para Fermentáveis, Oligossacarídeos, Dissacarídeos, Monossacarídeos e Polióis fermentáveis, o que virou mania depois de pesquisadores da Universidade de Monash, na Austrália, descobriram que uma dieta com baixo teor desses elementos ajuda e alivia sintomas intestinais, como diarréia, constipação e distensão gasosa.

São carboidratos de cadeia curta e álcoois de açúcar que não são digeridos no intestino delgado e, ao chegar ao intestino grosso, geram a formação de gases pela microbiota intestinal (dióxido de carbono, hidrogênio, gás metano).

Basicamente, esses açúcares estão presentes em diversos alimentos, desde os derivados do leite, cereais, frutas, gorduras e proteínas, sendo os favoritos das dietas detox, como, por exemplo, abacate, água de coco e castanha de caju (tabelas de alimentos disponíveis na internet).

Uma vez no corpo, são mal absorvidos no intestino delgado e acabam atraindo água para dentro do órgão. Quando essas substâncias pouco digeridas chegam ao cólon, as bactérias rapidamente as fermentam, gerando gases.

A má absorção da maioria dos carboidratos FODMAPs é comum a todos. Mas, os pacientes com Síndrome do Intestino Irritável (SII) apresentam mais sintomas de desconforto.

Dados da Federação Brasileira de Gastroenterologia mostram que a Síndrome do Intestino Irritável (SII) atinge de 10% a 20% da população adulta brasileira, principalmente mulheres em idade reprodutiva, podendo ser agravada pelo estresse, alergias e intolerâncias alimentares.

É verdade que alguns intestinos são mais sensíveis do que outros. Pesquisas recentes sugerem que, se você tem medo de um determinado alimento e o come, pode desenvolver distúrbios intestinais sem que realmente tenha alergia ou intolerância.

Se não tratada, essa síndrome pode gerar doenças mais sérias e, especialmente quando não identificamos os alimentos nocivos para os pacientes, estaremos agravando um processo de inflamação crônica, o que irá alterar a capacidade digestiva.

Além de ajudar a reduzir os sintomas da Síndrome do Intestino Irritável, o plano alimentar com baixo teor de FODMAPs pode ter efeito positivo em pessoas que sofrem de Supercrescimento Bacteriano do Intestino Delgado (SCBID) e outros distúrbios gastrointestinais decorrentes de quadros inflamatórios como a endometriose (presença de endométrio, tecido que reveste a cavidade uterina, quando fora do útero).

Você pode melhorar sua saúde digestiva e o seu microbioma intestinal com ajuda de profissionais adequados, mas não deixe de fazer a sua parte, seguindo uma dieta diversificada (várias cores de alimentos), reduzindo seu nível de estresse, relaxando, meditando ou fazendo Yoga, além de evitar álcool, café e comidas apimentadas em excesso, e procurando sempre dormir bem.

Gustavo Safe

Rejuvenescimento da mulher: colágeno e a beleza que vem de dentro para fora

Rejuvenescimento da mulher: colágeno e a beleza que vem de dentro para fora

Apesar do envelhecimento não poder ser interrompido, uma vida equilibrada parece ser o mais importante no combate das suplementações e terapias não invasivas, entre eles o colágeno.

O processo de envelhecimento celular (imunossenescência), apesar de ser um fenômeno totalmente natural, começa a se acentuar a partir da terceira década de vida como resultado da incapacidade das células do organismo em se replicar.

Este fenômeno é causado por danos no DNA que liberam os radicais livres, subprodutos tóxicos das células destruídas por causa da má alimentação, exposição ao sol em excesso, poluição, tabagismo, uso de álcool e estresse.

A genética e os hábitos de vida de cada um vão definir o resultado da equação que nos dias de hoje tem se tornado cada vez mais desfavorável, apesar da medicina há muitos anos estar tentando combater este processo através de terapias antienvelhecimento.

Neste processo de envelhecimento, o que acaba ocorrendo é a perda de determinadas substâncias importantes para nosso organismo.

Uma dessas substâncias essenciais é o colágeno (nome derivado da palavra grega cola, Kolla). A família do colágeno representa cerca de 30% das proteínas do nosso corpo.

Quais são os tipos de colágenos?

Há 29 tipos de colágeno, mas os principais são: o tipo 1, mais abundante e resistente, encontrado principalmente na pele; o tipo 2, presente nas articulações e tecidos, funciona como uma esponja, cedendo água ou absorvendo e aliviando o impacto nas articulações; o tipo 3, encontrado nas artérias, músculos, fígado, baço e rim confere elasticidade ao colágeno; e o tipo 4, que, ao se associar a um outro, forma uma rede semelhante a tela de arame.

Onde são encontrados os colágenos?

Os colágenos são encontrados em alimentos nos tecidos conjuntivos de origem animal. Outros alimentos ricos em aminoácidos que formam o colágeno são a clara de ovo e o leite.

Apesar do colágeno in natura ser exclusividade animal, as ervilhas, o feijão, as nozes e a lentilha também são fonte de aminoácidos necessários para a produção no organismo de pessoas vegetarianas.

Com as matérias primas adequadas, ele é sintetizado naturalmente pelo nosso organismo. Para isso, é preciso ter concentrações adequadas de vitamina C, vitamina A, Zinco e Cobre, entre outros.

No corpo humano, a taxa de rotatividade do colágeno é alta e constante, independente da maior ingestão de proteína (aminoácidos) ou de colágeno.

Como é produzido o colágeno?

O colágeno só será produzido se o próprio corpo “desejar”. O que regula esta função no corpo humano é uma série de fatores endógenos, tais como a secreção de hormônios como o GH (hormônio do crescimento), a testosterona, o estrogênio, além do estímulo de fatores de crescimento existentes no plasma sanguíneo.

Sua popularidade tem evoluído ao longo das últimas cinco décadas, começando com injeções na década de 1970, cremes e loções, pílulas, bebidas e alimentos, cujo foco principal é a saúde da pele, sendo utilizados os colágenos tipo 1 e 3.

Esta suplementação (nutricosméticos), que hoje é conhecida como “cápsulas da beleza”, vem conquistando cada vez mais as pessoas com a promessa da beleza um tanto diferente: a beleza de dentro para fora. Melhor seria se fossem chamadas de cápsulas do rejuvenescimento.

Tais cápsulas são formadas por associações de substâncias como vitaminas, minerais, carotenoides, flavonoides, entre outras que tenham propriedades antioxidantes e funcionem como um tipo de suplemento para o corpo, capazes de adicionar nele o que, muitas vezes, não faz parte da alimentação. 

Como exemplo temos ainda os bio-arct (biomassa marinha), os exsynutriment que aumentam a produção de colágeno e elastina, o colágeno verisol….

O colágeno hidrolisado deve ser utilizado longe das refeições e de preferência com líquido com frutas cítricas que aumentam a sua absorção. Ideal à noite, no momento em que o GH é liberado.

O colágeno verisol, produzido a partir de peptídeos bioativos, é mais digerível, produzindo adequado efeito em rugas, segundo estudo realizado pela Universidade de São Paulo e de Kiev.

Quais são os benefícios de uma dieta balanceada?

Se você mantém uma dieta balanceada em proteínas de boa qualidade, equilibrando estes macronutrientes com carboidratos e gorduras, ambos em menor quantidade em relação às proteínas, certamente obterá todo substrato necessário para a produção de colágeno, sem necessidade de recorrer à reposição.

Existem alguns estudos que mostram benefícios na flora microbiota intestinal quando o colágeno é associado a dieta rica em fibras, aminoácidos e curcuma.

Além da pele, articulação e intestino, o colágeno tem papel importante na saúde íntima feminina ao promover melhor trofismo nos órgãos dos aparelhos urinário e ginecológico.

Na menopausa, normalmente ocorre queda na produção de estrogênio, o que leva a uma atrofia vaginal importante, causando secura vaginal, perda de elasticidade dos tecidos, alteração da flora com maior chance de ocorrer infecções vaginais e urinárias.

Esta atrofia pode provocar dor nas relações sexuais e, quando associada a algum fator de risco, pode provocar prolapso (tipo de hérnia através da vagina), além de incontinência urinária com frequência.

A reposição hormonal (TRH) é, sem dúvida nenhuma, a forma mais fácil de tratamento desta atrofia, mas demanda o uso crônico sistêmico (constante ou frequente) ou vaginal contínuo, o que muito desagrada certas mulheres.

Os hidratantes vaginais, como o próprio nome indica, são muito importantes, mas atuam de forma complementar. Diferente deles, os lubrificantes podem, em certos casos, piorar o ressecamento vaginal.

Existem hoje novas tecnologias que há alguns anos vêm se tornando mais acessíveis pela diminuição de seus custos, como métodos não invasivos que utilizam o laser, a radiofrequência ou ultra som pulsado, cujo intuito é o de estimular a produção de colágeno na pele da vulva e na mucosa vaginal.

No caso do laser de Co2, por exemplo, são feitos inúmeros furos microscópicos que funcionam como pontes, levando essa energia para o tecido conjuntivo profundo, induzindo a formação de novas fibras de colágeno e de substâncias que favorecem a hidratação da mucosa, além de promover a formação de novos vasos sanguíneos.

Geralmente, três sessões, com intervalo de um mês, mantêm o trofismo por 12 a 18 meses, sendo necessária apenas uma aplicação anual de manutenção.

Importante enfatizar que este efeito não é conseguido através de cirurgias estéticas, o que muitas pessoas acreditam, como a redução ou aumento dos pequenos lábios, podendo inclusive agravar o problema.

A atrofia vaginal acomete de 60% a 80% das mulheres, sendo muito mais comum do que se imagina, mas não significa necessariamente que problemas poderão surgir. Mesmo que a mulher não tenha vida sexual ativa, isto pode impactar na saúde feminina a longo prazo, conforme explicado, sendo importante procurar o ginecologista, quando necessário, para uma correta avaliação e adequado tratamento.

O ‘Chip da beleza’ e a busca sem fim de um padrão encantador

O ‘Chip da beleza’ e a busca sem fim de um padrão encantador

“Chip da beleza”: O conceito de beleza é amplo e varia em função da cultura, idade e processo de envelhecimento. Pode ser uma busca sem fim, em um mercado cheio de promessas

Beleza é um substantivo feminino e pode ser definida como uma perfeição agradável à vista, que cativa o espírito, uma mulher formosa por exemplo! 

Este conceito é variável de acordo com a cultura e opinião pessoal. Por que não dizer que ela varia em função da idade?

O que é belo para uma pessoa, pode não ser para outra.

Tenho certeza de que todos conhecem a Barbie, atualmente com 62 anos. Embora tenha sido baseada em uma boneca alemã, o seu sucesso mundial fez com que o seu corpo magro e longilíneo fosse referência de beleza durante todos estes anos. 

Parece que este padrão no Brasil continua igual, apesar do advento dos modelos plus size (GG).

O Brasil ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo. 

Os dados são de uma pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), divulgada em dezembro de 2019. De acordo com o levantamento, só em 2018 foram registradas mais de 1 milhão e 498 mil cirurgias plásticas estéticas em nosso país, além de mais de 969 mil procedimentos estéticos não-cirúrgicos.

Imagine quanto movimenta este mercado pela busca do padrão ideal de beleza!

As mídias sociais são uma das responsáveis em alavancar ainda mais a busca das mulheres pelo padrão de beleza ideal neste século. Uma tarefa que tem se mostrado  cada vez mais difícil para a mulher brasileira. A jornada tripla (trabalho, filhos e lar), o estresse,  a alimentação inadequada e a falta de tempo para se exercitar fizeram com que muitas mulheres começassem a acreditar em MILAGRES através de cirurgias, procedimentos estéticos e uso de medicamentos como o “Chip da beleza”.

O “chip” da beleza, que na verdade é um implante hormonal, não pode carregar esta responsabilidade, como percebo no dia-a-dia das mídias sociais.

Os chips podem ser definidos, de acordo com a língua portuguesa, como um circuito eletrônico miniaturizado, construído sobre uma fina superfície, que contém materiais semicondutores e outros tipos de componentes. 

Os chips foram desenvolvidos para substituir algumas funções específicas. Desta forma, eles já foram utilizados na Medicina, por meio da implantação subcutânea, com o objetivo de ajudar no controle da liberação de hormônios. No entanto, os funcionamentos desses chips sofriam interferências e poderiam trazer diversos problemas, não tendo sido liberados para uso.

Mesmo assim, o termo “Chip da beleza”, ainda é muito utilizado, quando na verdade deveríamos falar do implante hormonal (tubet inserido abaixo da pele que libera hormônio), principalmente, à base de Gestrinona, um progestágeno, semelhante à Progesterona, desenvolvido para tratar a Endometriose, Adenomiose, Miomas e o sangramento uterino irregular da mulher.

Ele apresenta características capazes de estimular a perda de gordura localizada e aumentar a massa magra (ganho de músculo) na vigência de exercícios físicos. Ele ainda é capaz de aumentar o vigor físico, energia e libido, além de melhorar a TPM e sintomas da pré-menopausa. Sabemos que, após os 40 anos, as mulheres sofrem alterações hormonais que desencadeiam inúmeros processos em seus organismos, como a dificuldade de ganho da massa magra, perda de energia e diminuição da libido. 

Sendo assim, os implantes hormonais com Gestrinona podem oferecer o que prometem, sendo uma boa alternativa, apesar do seu alto custo, se indicado com bom senso, em pacientes muito bem selecionadas. Não deixe de consultar o seu Ginecologista, antes de tomar esta decisão. Afinal, cada pessoa pode responder de forma diferente a uma mesma medicação. 

Lembrem-se que não são isentos de efeitos colaterais e que a dosagem capaz de gerar benefícios médicos não é a mesma capaz de gerar benefícios estéticos!

Eu acredito no uso do implante, segundo uma indicação médica,  em que a paciente poderá se beneficiar dos efeitos estéticos como bónus.

Gustavo Safe

A história afetou a menstruação ou a menstruação afetou a história?

A história afetou a menstruação ou a menstruação afetou a história?

A menstruação possui muitos mitos, tabus e perguntas, cuja resposta depende da história de cada mulher a ser escrita

Lembro-me bem que antes de entrar na Faculdade de Medicina tive a oportunidade de ler o livro Menstruação – sangria inútil. Uma obra do querido Professor Elzimar Coutinho, um dos maiores cientistas que o Brasil já teve, com mais de 30 mil cópias vendidas.

Nesta época, a supressão da menstruação foi considerada pela revista Times como um dos maiores avanços da Medicina. Confesso que naquela época não tinha maturidade suficiente para entender, mas percebo que velhas perguntas aguardam novas respostas.

A mulher precisa menstruar?

É bom para o corpo? Elimina toxinas?

Menstruar faz-se sentir feminina? Aumenta a libido?

A mulher precisa conviver com os sintomas da TPM? É seguro não menstruar?

É seguro tomar hormônios para suspender a menstruação?

Existe razão para menstruar mensalmente?

Na idade da pedra as mulheres da caverna não tinham problemas com a menstruação, pois elas não menstruavam. Elas tinham um filho atrás do outro, sem intervalo.

Homens e mulheres saíram das cavernas, construíram casas, casamentos e família dentro de uma sociedade. Mas a imagem da menstruação permanecia regida pela cultura de cada época.

Na Grécia antiga, além da Filosofia, os pensadores acreditavam que as mulheres se sentiam melhores depois de menstruar, quando na verdade elas se sentiam mais aliviadas com o fim da TPM e outros sintomas. Nessa época, a ideia era de que a menstruação era necessária e fazia bem para a mulher.

Na Roma antiga, as mulheres eram consideradas impuras no período menstrual e todos queriam distância delas.

Já na idade média, as mulheres mais puras repudiavam o sexo e, por isso, menstruavam direto, a vida inteira.

Passaram-se séculos e tudo mudou. A revolução silenciosa e discreta começou há 60 anos, paralelamente ao surgimento da pílula anticoncepcional que foi aprovada pelo FDA (Food and Drugs Administration), em 1960. 

A mulher ganhou mais espaço e novas opções. Estudar, trabalhar fora, casar, ter filhos ou não.

Neste período, a média de idade da menarca (idade da primeira menstruação) era de 16 anos, com uma média de 160 ciclos menstruais ao longo da vida.  Idade do primeiro parto aos 19,5 anos, tendo, em média, 6 filhos e amamentando por 1 a 2 anos. 

Menos de 28% das mulheres eram economicamente ativas.

Já no início deste século (2007), a idade média da menarca diminuiu para 12,5 anos, com quase 500 ciclos menstruais ao longo da vida. A idade do primeiro parto aumentou para 24 anos com diminuição do número de filhos, em média 2 e menos de 3 meses de amamentação. Mais de 43% das mulheres eram economicamente ativas.

Em resumo, menos filhos, menos amamentação, o que significa mais menstruação, mais sintomas, mais chances de desenvolver problemas ginecológicos.

Logo, menstruar nunca foi natural ao longo da História e nem necessariamente benéfico!

A mulher atual vive muito mais e acaba passando mais da metade da sua vida sem menstruar, considerando que o tempo médio em que menstrua, ao longo da vida, é de 33 anos.

Mesmo assim, se sua decisão for menstruar normalmente, garanta que isto não irá interferir na sua qualidade de vida.

Cada mulher precisa conhecer os seus riscos pessoais e entender o contexto de sua inserção na sociedade para que possa decidir com sabedoria o caminho a trilhar

O seu Ginecologista poderá ajudar a clarear estas questões. Não deixe a menstruação atrapalhar a sua História!

Gustavo Safe

O fardo que as mulheres brasileiras carregam nesta pandemia da COVID

O fardo que as mulheres brasileiras carregam nesta pandemia da COVID

Pandemia do Corona vírus trouxe muitos desafios à saúde da mulher, assim como novas oportunidades

A maior pandemia do último século trouxe muitas mudanças na forma como vivemos, afetando assim a nossa saúde, mesmo não sendo contaminados pelo vírus.

Saúde é muito mais do que ausência de doença. É um estado de completo bem-estar físico, mental e social. 

O equilíbrio entre estas partes é fundamental, mas foi quebrado neste último ano com o isolamento social.

As mulheres representam 70% dos profissionais da área de saúde no Brasil e no mundo, sendo a maioria na linha de frente contra o COVID-19.

Felizmente, o risco de a mulher morrer é duas vezes menor que o do homem. O sexo biológico tem influência importante sobre o sistema imunológico, seja através do cromossoma x, seja em relação ao hormônio estrogênio que a mulher produz.

Este mesmo estrogênio que protege é responsável por alterações hormonais que provocam as tensões pré-menstruais (TPMs), muito conhecidas das mulheres e dos homens. 

Junta-se a isto o aumento do estresse, da depressão e da ansiedade com as mulheres ainda mais sobrecarregadas com suas atividades domésticas e cuidados com outros membros da família

A SOF (Sempreviva Organização Feminista) realizou uma pesquisa com mais de 2.600 mulheres brasileiras que mostrou que 50% delas passaram a cuidar de uma criança ou de um idoso na pandemia.

Atividade esta, que na sua maioria não é remunerada em um cenário com cortes de salários, desemprego e aumento de custos do lar.

Tudo isto provoca uma compulsão alimentar que, juntamente com a dificuldade de se exercitar, faz com que muitas mulheres ganhem peso e, como uma bola de neve, piora o desequilíbrio hormonal, mental e sabidamente é um fator de risco para COVID-19.

A violência contra a mulher aumentou muito neste período, realidade triste neste Brasil, mas felizmente começou a ser melhor combatida através de iniciativas governamentais.

Por outro lado, o isolamento trouxe mais oportunidades a estas mulheres. Com a pandemia, o home office que era uma realidade para poucas, aproximou famílias, abriu novos mercados de trabalho, permitiu atendimentos médicos e psicológicos, até mesmo realização de cursos e diversão através da internet. 

O tempo que era perdido com deslocamentos ao trabalho e atividades escolares pôde ser transformado em mais produtivo.

Neste último ano percebi também alguns parceiros mais presentes e participantes. Gestantes não apresentaram, como de costume, aumento de risco na gestação decorrente do isolamento, apresentando-se menos cansadas e mais tranquilas com menos atividade social, apesar de serem grupo de risco. Não seria este um bom momento para realizar a maternidade?

O mesmo não posso dizer das usuárias do SUS que, com o fechamento (lockdown), acabaram não conseguindo medicamentos contraceptivos, consultas de rotina e acesso ao diagnóstico e tratamento do câncer ginecológico. As repercussões só serão conhecidas no futuro.

A mulher é resistente, tem uma capacidade maravilhosa de se adaptar (resiliência) e superar estas adversidades. Importante estimular o autoconhecimento (meditação) e o foco no momento presente, procurando esquecer o passado e sem se preocupar demais com o futuro (mindfulness).

Além disso, é preciso manter o controle ginecológico anual em dia com todos os cuidados de proteção contra o COVID -19 exigidos pela ANVISA e aproveitar este momento para discutir com seu médico todos estes aspectos abordados de forma preventiva ou terapêutica.